Umaro Sissoco Embalo president Guinea Bissau 2023

Umaro Sissoco Embaló anuncia candidatura às presidenciais na Guiné-Bissau

O antigo Presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, anunciou que pretende concorrer às eleições presidenciais previstas para 6 de Dezembro, afirmando que a sua candidatura pretende contribuir para o regresso do Governo civil ao país.

Em declarações à Agência France-Presse (AFP), Embaló confirmou que será candidato ao próximo escrutínio, meses depois de ter sido afastado da Presidência na sequência do golpe de Estado ocorrido em Novembro do ano passado.

Exército interrompeu processo eleitoral

O Exército assumiu o controlo do poder poucos dias depois das eleições presidenciais, suspendendo o processo eleitoral e afastando Embaló da Presidência.

O golpe ocorreu um dia antes da divulgação dos resultados provisórios. Na altura, vários observadores suspeitaram que o próprio Embaló poderia ter estado envolvido na interrupção do processo eleitoral, num momento em que aparentava enfrentar dificuldades no escrutínio. Essas suspeitas, contudo, não foram comprovadas.

A junta militar, liderada pelo general Horta N’Tam, próximo de Embaló, marcou novas eleições presidenciais e legislativas para 6 de Dezembro, com o objectivo declarado de restabelecer a ordem constitucional e o Governo civil.

Questionado sobre a possibilidade de Umaro Sissoco Embaló regressar ao país, Horta N’Tam afirmou que qualquer cidadão guineense é livre de regressar, desde que não tenha questões pendentes com a Justiça.

Regresso de Embaló é preparado

Entretanto, activistas guineenses anunciaram nas redes sociais que estão a preparar o regresso do antigo Presidente ao país no domingo, 4 de Outubro.

O analista político Malam Cissé, citado pela AFP, considera que não existe, do ponto de vista legal, impedimento para o regresso de Embaló.

“Legalmente, nada impede o regresso de Umaro Sissoco Embaló à Guiné-Bissau. Foi deposto do poder por um golpe de Estado”, afirmou Cissé, acrescentando que o antigo chefe de Estado “não assinou qualquer documento a renunciar ao poder”.

O professor de História Bassirou Sadio, também citado pela AFP, defendeu que, uma vez cumpridas as condições legais, todos devem poder participar na disputa política, respeitando as regras estabelecidas.

Eleições acontecem num ambiente político tenso

A junta militar justificou a tomada do poder com a necessidade de garantir a ordem nacional, alegando ter descoberto um plano para desestabilizar o país envolvendo traficantes de droga.

Enquanto isso, os eleitores guineenses aprovaram, num referendo realizado em Agosto, uma alteração constitucional que atribui mais poderes ao Presidente. A junta afirmou que a mudança pretende contribuir para a estabilização das instituições antes das eleições de Dezembro.

O ambiente político continua tenso. A oposição apelou ao boicote do processo eleitoral.

O actual líder da junta, que também exerce as funções de Presidente de transição, está impedido de concorrer às presidenciais pelas regras estabelecidas na carta de transição.

A Guiné-Bissau tem enfrentado sucessivos períodos de instabilidade política. Desde a independência de Portugal, em 1974, o país registou cinco golpes de Estado e várias tentativas de derrube do poder. A pobreza e a instabilidade política também contribuíram para problemas relacionados com corrupção e tráfico de droga.

Fonte: O País / AFP

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