Organização quer que o Mozambique Tourism Summit 2026 vá além da promoção turística e resulte em investimentos, empregos, parcerias e maior integração das empresas nacionais nas cadeias de valor
A Federação Moçambicana de Turismo (FEMOTUR) encara com expectativa e sentido de responsabilidade a realização da segunda edição do Mozambique Tourism Summit 2026, defendendo que o turismo deve assumir um papel central na mobilização de investimentos, diversificação económica e geração de oportunidades para as empresas e comunidades moçambicanas.
A posição é defendida pelo vice-presidente da FEMOTUR, Dr. Aurélio Maússe, para quem o Summit não deve ser encarado apenas como mais um evento do sector, mas como uma plataforma capaz de colocar o turismo no centro da agenda económica nacional.
“Não basta trazer turistas. Precisamos transformar a presença desses turistas em emprego, empresas, produção nacional, receitas fiscais, divisas e oportunidades para as comunidades”, afirmou Maússe.
Mais valor económico por cada turista
Segundo o dirigente, o impacto económico do turismo ultrapassa a actividade hoteleira. O visitante movimenta uma extensa cadeia de sectores, incluindo transportes, restauração, agências de viagens, guias, actividades culturais, parques, telecomunicações e comércio.
Da mesma forma, os estabelecimentos hoteleiros necessitam de alimentos, bebidas, serviços de limpeza, manutenção e outros produtos e serviços, criando oportunidades para empresas de diferentes dimensões.
Para a FEMOTUR, o desafio passa por garantir que uma parcela maior dos recursos gerados pelo turismo permaneça no país, através do reforço do conteúdo local e da integração das empresas nacionais nas cadeias de fornecimento.
Maússe considera que o turismo pode contribuir significativamente para a independência económica de Moçambique, desde que a avaliação do sector deixe de estar concentrada apenas no número de visitantes e passe a considerar o valor económico efectivamente gerado.
O responsável esclarece, contudo, que uma maior participação nacional não significa rejeitar o investimento estrangeiro.
“Moçambique precisa de investimento externo, precisa de turistas estrangeiros, precisa de conhecimento e de acesso aos mercados internacionais”, afirmou, defendendo, ao mesmo tempo, que esses investimentos devem contribuir para a criação de empresas nacionais, emprego, transferência de conhecimento e aquisição de produtos e serviços produzidos no país.
Meta de mil milhões de dólares exige maior integração
Sobre a ambição de atingir cerca de mil milhões de dólares anuais em receitas turísticas, o vice-presidente da FEMOTUR considera que se trata de uma meta importante, mas sublinha que a questão central é saber como alcançá-la.
Para Maússe, Moçambique precisa não apenas de aumentar o número de turistas, mas também de elevar a permanência média e a despesa média por visitante.
Para tal, aponta a necessidade de melhorar a conectividade aérea, infra-estruturas, segurança e qualidade dos destinos, bem como facilitar o acesso ao financiamento para as empresas.
A integração das micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) nas cadeias de valor do turismo é apontada como uma das principais prioridades.
“Não queremos apenas que um hotel tenha bons resultados. Queremos que, à volta desse hotel, existam dezenas ou centenas de empresas moçambicanas a crescer”, defendeu.
Hotel deve funcionar como plataforma de desenvolvimento
A FEMOTUR entende que o turismo pode actuar como motor de crescimento de outros sectores da economia.
Maússe dá como exemplo um empreendimento turístico em Vilankulo que adquire peixe aos pescadores locais, hortícolas aos agricultores, utiliza empresas nacionais de transporte e manutenção, emprega jovens formados no país e compra produtos culturais e artesanais às comunidades.
Nessa perspectiva, o hotel deixa de ser apenas uma unidade de alojamento e passa a funcionar como uma plataforma de desenvolvimento económico local.
Para que isso aconteça em maior escala, a FEMOTUR defende a criação de mecanismos de business matching entre investidores e empresas nacionais, melhoria do acesso ao financiamento, capacitação e certificação das MPMEs.
A organização defende ainda que as grandes empresas devem encarar as MPMEs nacionais como parceiras económicas e não apenas como beneficiárias das oportunidades geradas pelo sector.
Emprego e formação da juventude
O emprego é outro dos aspectos destacados pela FEMOTUR. Embora reconheça que o turismo é um sector intensivo em mão-de-obra, Maússe defende que a aposta deve ultrapassar a criação de empregos básicos.
A formação deve abranger gestores, chefes de cozinha, técnicos, profissionais de eventos, guias, gestores de destinos, especialistas digitais e empreendedores.
“A nossa juventude não deve ser preparada apenas para procurar emprego no turismo. Deve ser preparada também para criar empresas no turismo”, afirmou.
Vilankulo como montra do potencial turístico
A escolha de Vilankulo, na província de Inhambane, como palco da segunda edição do Mozambique Tourism Summit é considerada pela FEMOTUR uma mensagem sobre a necessidade de descentralizar as oportunidades económicas geradas pelo turismo.
Para Maússe, Moçambique possui destinos com elevado potencial em diferentes províncias, sendo necessário desenvolver corredores turísticos e económicos que liguem hotéis, conservação, cultura, agricultura, pesca, transportes, comércio e comunidades.
Vilankulo poderá, nesse contexto, funcionar como uma montra da oferta turística nacional e, simultaneamente, como exemplo de integração do turismo na economia local.
Summit deve produzir resultados concretos
A FEMOTUR espera que o Mozambique Tourism Summit 2026 resulte em negócios, investimentos, parcerias e compromissos concretos.
Maússe defende que o sucesso do encontro não deve ser medido pelo número de participantes, mas pelos resultados alcançados depois do evento.
Entre os indicadores apontados estão o volume de investimentos mobilizados, o número de empresas integradas nas cadeias de valor, os empregos criados, o investimento canalizado para as províncias e o número de MPMEs que passam a fornecer bens e serviços aos grandes empreendimentos turísticos.
“Não queremos apenas crescimento do turismo. Queremos desenvolvimento através do turismo”, resumiu.
Business Breakfast prepara Mozambique Tourism Summit 2026
É neste contexto que se insere o Business Breakfast – Mozambique Tourism Summit 2026, encontro que integra os preparativos para a segunda edição do Summit, agendada para os dias 5 e 6 de Novembro de 2026, em Vilankulo, província de Inhambane, sob o lema “Moçambique, onde África se Reinventa”.
O encontro deverá reunir membros do Governo, embaixadores, líderes empresariais nacionais e internacionais, investidores e outros parceiros estratégicos, com o objectivo de promover um diálogo executivo orientado para a mobilização de investimentos e o estabelecimento de parcerias institucionais no sector do turismo.
Durante o Business Breakfast serão apresentadas oportunidades estratégicas de investimento e parceria no âmbito do Mozambique Tourism Summit 2026, incluindo pacotes de parceria e patrocínio.
O programa contempla igualmente uma mesa-redonda de alto nível dedicada ao investimento, à conectividade e à promoção das cadeias de valor no turismo.
A expectativa da FEMOTUR é que o Summit contribua para transformar o potencial turístico de Moçambique em maior valor económico nacional, assegurando que os benefícios da actividade alcancem não apenas os grandes empreendimentos, mas também agricultores, pescadores, transportadores, guias, artesãos, jovens profissionais, comunidades e empresários nacionais.
