A recente decisão do Governo moçambicano de reduzir os preços dos combustíveis e do gás de cozinha a nível nacional tem gerado debates intensos entre os cidadãos da província de Inhambane. A medida, anunciada pela Autoridade Reguladora de Energia, visa aliviar os encargos da população face ao elevado custo de vida. No entanto, os pontos de vista recolhidos pela nossa equipa variam: enquanto alguns consideram a decisão positiva, outros argumentam que a redução foi modesta e ficou aquém das expectativas.
Impacto da Crise e Justificativa da Medida
Desde as eleições gerais de outubro de 2024, o país enfrenta instabilidade política, agravada por uma escassez de divisas que afetou gravemente o abastecimento de combustíveis. O gasóleo tornou-se um bem raro em muitos postos, especialmente em Inhambane. Em resposta a esse cenário, o Executivo liderado por Daniel Francisco Chapo anunciou, a 18 de junho de 2025, a revisão em baixa dos preços.

Com a nova tabela, o gasóleo passou de 86,79 para 79,88 meticais por litro, representando um corte de aproximadamente seis meticais. A gasolina teve um recuo mais modesto, passando de 85,82 para 83,57 meticais por litro — uma diferença de quase dois meticais.
Reações: Satisfação e Ceticismo
“Dois meticais? Isso não chega. Em países vizinhos como África do Sul e Malawi, os preços são muito mais acessíveis. Esperava ver a gasolina a 60 ou, no máximo, 70 meticais. Assim, continua caro.”
Também Reginaldo Vilanculos, morador de Massinga, expressa frustração. Para ele, o Governo perdeu a oportunidade de recompensar os cidadãos após meses de dificuldades e tensões sociais.
“Dois meticais não resolvem nada. Ainda gasto quase mil meticais para encher o depósito. Só consigo usar o carro quando recebo o salário.”
Em contraste, há quem veja a medida como um sinal de progresso. Elton da Conceição, motorista habitual na rota Maxixe–Vilanculos, elogia a decisão:
“É uma redução pequena, mas já ajuda. É um começo. Talvez, nos próximos tempos, venham mais melhorias.”
Outros Produtos Também Sofrem Ajuste
Além da gasolina e do gasóleo, os novos preços abrangem também o gás natural veicular e o petróleo de iluminação. O gás caiu de 43,40 para 41,11 meticais por litro, enquanto o petróleo passou de 69,35 para 66,86 meticais.
