Nampula, 25 de Julho de 2025 – Um grupo de matronas da cidade de Nampula manifestou-se contra o uso de estimulantes sexuais por parte de homens, classificando essa prática como prejudicial à saúde feminina e desrespeitosa aos valores tradicionais.
Em declarações ao Ikweli, essas mulheres, com vasta experiência em práticas culturais e sociais locais, consideram inaceitável que muitos homens recorram a substâncias químicas para prolongar o ato sexual, o que, segundo elas, pode causar ferimentos, desconforto e até doenças nas mulheres. “Antigamente, mesmo com raízes naturais que se dizia terem efeitos afrodisíacos, os homens preferiam respeitar os limites e o bem-estar das suas parceiras”, explicou Alia Fernando Elapo, uma das vozes mais críticas ao fenómeno.
Para Elapo, o cenário atual é alarmante. Ela afirma que a pressão para manter relações sexuais prolongadas virou uma forma de competição sem sentido. “Hoje em dia, sexo virou uma espécie de desporto. Antigamente, se um homem durasse duas horas, era algo raro e natural. Agora, com comprimidos e pomadas, as pessoas estão a exagerar e a comprometer a saúde da mulher. Isso é indigno e ofende os princípios morais que tínhamos”, disse.
Ela argumenta que o uso desses produtos, além de desrespeitar o corpo da mulher, rompe com a ideia de uma relação baseada no amor e na cumplicidade. “Se um homem ama de verdade a sua parceira, ele não vai usar esses métodos artificiais. Com o tempo, o prazer desaparece e o que resta é dor. Pedimos que isso pare, porque também pessoas adultas, e não só os jovens, estão a seguir essa prática perigosa”, completou.
Otília Gustavo, também matrona e entrevistada, considera que o uso desses estimulantes é um abuso disfarçado de virilidade. “É como se torturar a mulher fosse algo para se orgulhar. Não é o tempo que define o prazer, mas sim a forma como se faz. Muitos homens parecem não entender isso. Essa prática precisa de acabar, porque não é demonstração de masculinidade, é violência camuflada”, criticou.
De acordo com apurações locais, o uso excessivo de estimulantes sexuais tem gerado problemas não apenas em relações conjugais, mas também em casas de diversão noturna, onde mulheres que trabalham no setor têm relatado conflitos com clientes devido à duração prolongada dos encontros.
