O setor empresarial moçambicano voltou a se reunir com representantes do novo governo esta semana, mantendo firme a sua lista de reivindicações históricas. Em destaque, estão a necessidade urgente de reformas estruturais no ambiente de negócios, a instabilidade cambial e a cobrança de dívidas que o Estado ainda não regularizou junto às empresas privadas.
No encontro, liderado pelo recém-eleito presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), Álvaro Massingue, foram reiteradas cobranças que há anos circulam sem resolução. Massingue, que chegou ao cargo após contestar judicialmente a decisão da comissão eleitoral da CTA que tentava impedir sua candidatura, venceu com margem significativa, trazendo novos ares à liderança da entidade.
Por outro lado, a nova primeira-ministra, Benvinda Levy, participou da sua primeira sessão oficial com empresários, acompanhada por membros do seu gabinete. O encontro ocorreu em um momento delicado, marcado pela destruição de infraestruturas após protestos violentos que abalaram economicamente vários setores, em especial na capital.
Apesar das mudanças no comando político, as preocupações continuam as mesmas. A CTA voltou a exigir o pagamento de aproximadamente 50 milhões de dólares que o governo deve ao setor privado — valor referente a serviços prestados, fornecimentos e reembolsos de IVA. Em resposta, um representante do Ministério da Economia e Finanças anunciou que cerca de 23,7 milhões de dólares foram já alocados para liquidar dívidas acumuladas entre 2017 e 2023, com novas previsões de pagamento previstas para o ano seguinte.
Ainda assim, empresários mostraram-se cautelosos. Muitos temem que, sem ações concretas e imediatas, a situação piore. O atraso nos pagamentos afeta o fluxo de caixa das empresas e prejudica o emprego, sobretudo num contexto em que várias pequenas e médias empresas, alvos de pilhagens, dificilmente conseguirão reabrir suas portas.
O setor privado insiste que o novo governo tem agora uma oportunidade crítica: romper com o passado de promessas não cumpridas e estabelecer uma base sólida para a recuperação económica de Moçambique. Mas o tempo está a contar.
