Nas últimas semanas, um vídeo dramático circulou intensamente no TikTok e em outras redes sociais, alegando mostrar o ataque fatal de um golfinho — ou orca — contra uma suposta treinadora chamada Jessica Radcliffe, de 23 anos, durante um espetáculo no fictício “Pacific Blue Marine Park”. Segundo a narrativa viral, a jovem teria sido resgatada com vida, mas não resistiu aos ferimentos minutos depois.
A história, que rapidamente comoveu e chocou milhares de internautas, foi investigada por veículos internacionais e sites de checagem. O veredito: tudo não passa de uma farsa. Não existem registros oficiais, obituários, reportagens em meios confiáveis ou qualquer evidência da existência de Jessica Radcliffe. Da mesma forma, o “Pacific Blue Marine Park” nunca foi encontrado em cadastros ou registros públicos.
Especialistas em análise de mídia e fact-checkers identificaram que o vídeo foi produzido por inteligência artificial, com elementos gráficos e narrações sintéticas. Pequenos erros visuais, características de imagens geradas por IA, e inconsistências no cenário confirmam que o material não documenta um evento real.
O boato ganhou força a ponto de gerar uma “versão alternativa” com outra suposta vítima, chamada Marina Lysaro, também atribuída a um ataque de orca. Assim como no caso anterior, a investigação concluiu que era apenas mais um vídeo fabricado por IA, sem base em fatos reais.
Embora ataques de orcas contra treinadores já tenham ocorrido na vida real — como o caso de Dawn Brancheau, no SeaWorld em 2010 —, esses episódios sempre são acompanhados por ampla cobertura jornalística e investigações formais, algo inexistente nesta narrativa.
Este episódio serve como alerta sobre o poder da desinformação amplificada por tecnologias emergentes, mostrando que mesmo vídeos aparentemente realistas podem ser inteiramente fabricados. Especialistas recomendam cautela e verificação das fontes antes de compartilhar conteúdos virais.
