Denunciante brasileira do caso Jeffrey Epstein relata perseguição e vive sob vigilância constante nos EUA

Marina Lacerda, cidadã brasileira e uma das denunciantes dos abusos sexuais cometidos por Jeffrey Epstein, revelou estar num estado de vigilância e tensão contínuas devido a uma vaga de ameaças e perseguições. O assédio intensificou-se após a sua identidade e os seus relatos terem sido expostos publicamente.

​Clima de medo e impacto familiar

​A residir atualmente nos Estados Unidos da América juntamente com a sua filha de 12 anos, Marina detalhou à agência de notícias Reuters que o seu quotidiano passou a ser marcado pelo receio de que a sua habitação seja invadida por estranhos. Esta situação de risco começou a desenhar-se logo após a brasileira ter marcado presença numa conferência de imprensa destinada a exigir a abertura e publicação de relatórios oficiais associados ao caso de Epstein.

​As pressões e os perigos aumentaram de forma substancial quando o nome de Marina Lacerda constou, de forma reiterada, em ficheiros do Departamento de Justiça norte-americano que vieram a público sem qualquer tipo de anonimização ou proteção de sigilo. A partir desse momento, a denunciante enfrentou:

  • ​Campanhas organizadas de difamação e Linchamento virtual nas redes sociais, onde foi alvo de insultos injuriosos, sendo apelidada de prostituta e mentirosa.
  • ​Consequências diretas na vida escolar da filha, que passou a ser importunada por colegas de turma assim que os dados confidenciais se tornaram de acesso público.

​Como forma de salvaguardar a integridade física da família e ocultar a sua localização geográfica atual, a cidadã brasileira viu-se obrigada a modificar os registos de propriedade do seu imóvel e a implementar protocolos severos de segurança privada.

​Um padrão de intimidação contra as vítimas

​A realidade vivida por Marina enquadra-se num cenário mais vasto e partilhado por outras mulheres. De acordo com uma investigação jornalística levada a cabo pela Reuters, registam-se pelo menos 23 mulheres — entre vítimas diretas de Jeffrey Epstein e pessoas cujas identidades constam nos relatórios judiciais — que reportaram situações de assédio, ameaças de integridade física ou perseguição ativa.

​A gravidade do panorama levou a que várias destas mulheres adotassem medidas extremas de autodefesa, tais como:

  • ​Contratação de equipas de segurança com proteção armada;
  • ​Instalação de complexos sistemas eletrónicos de videovigilância nas suas residências;
  • ​Uso diário e transporte de dispositivos de defesa pessoal de emergência.

​Este cenário traz novamente para a discussão pública internacional a vulnerabilidade dos mecanismos de proteção jurídica destinados a vítimas de crimes sexuais. O caso expõe com clareza os riscos de retaliação e os perigos sistémicos a que mulheres estão sujeitas ao quebrarem o silêncio para denunciar figuras de elevado poder e influência na sociedade, mesmo quando os crimes são expostos muitos anos após a sua ocorrência.

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