Moçambique garante acesso universal de energia até 2030

Moçambique reafirmou o compromisso de alcançar o acesso universal à energia até 2030, meta considerada estratégica para o desenvolvimento econômico e social do país. A garantia foi dada pelo Presidente da República, Filipe Nyusi, e confirmada pela Agência Lusa no dia 13 de agosto de 2025.

Segundo o chefe de Estado, o plano passa pela capitalização da Hidroelétrica de Cahora Bassa (HCB), pelo avanço do projeto Mphanda Nkuwa, e pela aposta em energias alternativas, nomeadamente soluções solares e iniciativas de geração descentralizada. A visão do governo é transformar o setor energético num dos principais motores de crescimento nacional.

Os progressos já são visíveis: em 2018, apenas 31% da população tinha acesso à eletricidade. Em 2023, esse número subiu para 62%, com a realização de mais de 400 mil novas ligações anuais nos últimos dois anos. Ainda assim, para cumprir a meta de universalização, serão necessárias 2,5 milhões de novas ligações à rede nacional e cerca de 2 milhões fora da rede.

De acordo com a Estratégia de Transição Energética (ETS), aprovada em 2024, 70% da cobertura será assegurada pela rede elétrica e os restantes 30% por soluções off-grid, como mini-redes solares e sistemas domésticos. A mesma estratégia prevê que, até 2030, a produção elétrica atinja 28 a 32 terawatts-hora (TWh), com uma participação de 15% a 25% de energias renováveis.

O país também está envolvido em iniciativas regionais e internacionais. Através da parceria com o Africa50, o Banco Mundial e o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), Moçambique participa da iniciativa “Missão 300”, que pretende levar energia a 300 milhões de africanos até 2030. O projeto ASCENT Mozambique, financiado pelo Banco Mundial com 131 milhões de dólares, deverá beneficiar quase 1 milhão de pessoas, além de levar eletricidade a 68 escolas, centros de saúde e outras infraestruturas públicas.

Paralelamente, o governo já assegurou acordos para a construção de três novas linhas de transmissão e de um centro de dados em Maputo, reforçando a capacidade do sistema elétrico nacional. Programas como o ProEnergia, com financiamento de 377 milhões de dólares, também vão contribuir para aumentar a cobertura elétrica para cerca de 64% até 2024, preparando terreno para a universalização em 2030.

Com estes avanços e compromissos firmes, Moçambique coloca-se entre os países africanos que mais aceleram a expansão do acesso à energia, combinando grandes projetos de geração com soluções sustentáveis e inovadoras para zonas rurais.

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