Moçambique enfrenta um enorme desafio financeiro no setor de infraestruturas rodoviárias. Segundo dados avançados pela agência Lusa, o país necessita de mais de 2.000 milhões de euros até 2029 para executar obras de reabilitação e construção de estradas e pontes.
O investimento é considerado vital para melhorar a mobilidade e garantir a ligação entre as diferentes regiões, mas os números revelam um défice preocupante. Atualmente, o país regista um défice anual superior a 500 milhões de euros para a manutenção e expansão da rede rodoviária. Embora as necessidades anuais rondem os 726 milhões de euros, o Estado consegue alocar apenas cerca de 82 milhões, o que representa pouco mais de 30% do valor necessário.
A situação tem sido agravada por fenómenos climáticos extremos. Apenas a passagem da tempestade tropical JUDE obrigou o governo a estimar mais de 800 milhões de meticais (cerca de 11 milhões de euros) para repor estradas e pontes danificadas.
Entre os projetos de maior envergadura está a reabilitação da Estrada Nacional Número Um (N1), com mais de 2.600 quilómetros de extensão, que liga o país de norte a sul. O custo total da intervenção está estimado em 3,5 mil milhões de dólares (cerca de 3.080 milhões de euros). Até ao momento, o governo garantiu 1,1 mil milhões de dólares para financiar a primeira fase, ficando ainda por assegurar a maior parte dos fundos.
Com uma rede viária essencial para o desenvolvimento econômico e social, Moçambique depende fortemente de financiamento externo, parcerias com organismos internacionais e investimentos privados. Especialistas alertam que, sem um plano sustentável de financiamento e manutenção, o país poderá enfrentar sérias limitações na circulação de pessoas e mercadorias, comprometendo o crescimento nacional.
