Bissau – O Governo da Guiné-Bissau anunciou, esta sexta-feira, a suspensão imediata das atividades da Agência Lusa, da RTP África e da RDP África no país. A decisão implica a interrupção das emissões e a saída dos correspondentes até terça-feira.
Segundo o ministro da Comunicação Social, Vítor Pereira, a medida deve-se à caducidade do acordo de cooperação em comunicação social assinado entre Bissau e Lisboa há mais de 20 anos, sendo necessária uma renegociação para a continuidade das emissões. O governante sublinhou que a decisão não está ligada ao conteúdo das transmissões.
Apesar disso, a medida gerou forte contestação. Organizações da sociedade civil guineense classificaram a suspensão como uma tentativa de silenciar a população e um retrocesso democrático. Jorge Gomes, presidente do Movimento Nacional da Sociedade Civil pela Paz, Democracia e Desenvolvimento, afirmou que a decisão representa “uma forma de silenciar a população” e compromete o direito à informação.
Em Lisboa, a direção da Agência Lusa considerou a suspensão um “atentado à liberdade de informação” e anunciou que levará a situação às instâncias competentes. Também o Governo português repudiou a medida, afirmando tratar-se de um “ataque à liberdade de expressão e de imprensa”, inaceitável entre países com laços históricos e de cooperação tão estreitos.
A decisão de Bissau ocorre num contexto de tensões políticas internas e levanta preocupações sobre o futuro da liberdade de imprensa na Guiné-Bissau, país que já vinha sendo criticado por limitações à comunicação social.
