A prefeita de Washington, Muriel Bowser, e o procurador-geral da cidade, Brian Schwalb, entraram com uma ação judicial contra a administração Trump após a procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, anunciar a nomeação de Terry Cole, chefe da DEA, como “comissário emergencial da polícia” da capital norte-americana. A medida, divulgada na sexta-feira (15), foi classificada como ilegal pelas autoridades locais, que afirmam que a cidade tem autonomia para gerir seu departamento policial.
O governo federal baseou a intervenção em uma cláusula do Home Rule Act de 1973, lei que garante autonomia limitada a Washington, mas que permite ao presidente requisitar a polícia local em situações de “emergência especial”. A administração Trump justificou a medida alegando aumento da criminalidade, embora dados oficiais indiquem que os níveis de violência em Washington estão no patamar mais baixo das últimas três décadas.
Diante da escalada da tensão, um juiz federal interveio e sinalizou a emissão de uma ordem de restrição temporária contra a decisão do governo. Após negociações, ficou acordado que a chefe atual da polícia, Pamela Smith, permaneceria no comando do Metropolitan Police Department (MPD). No entanto, uma determinação paralela do Departamento de Justiça obrigou a polícia local a cooperar em operações federais de imigração, em confronto direto com as políticas de cidade santuário defendidas por Bowser.
A prefeita afirmou que não pretende ceder à intervenção federal e classificou a decisão como um ataque à autonomia da capital. Já o procurador-geral Schwalb reforçou que a medida viola a Constituição e enfraquece o autogoverno de Washington, conquistado com décadas de luta política.
O episódio aprofundou a disputa entre o governo municipal e a Casa Branca, reacendendo o debate sobre os limites da autonomia de Washington e sobre até onde vai o poder federal em questões de segurança pública local.
