Moradores de Palma exigem saída da Totalenergies de Afungi

Palma – Os habitantes de Palma exigem que a Totalenergies se retire da região de Afungi, em Cabo Delgado, alegando injustiças e exclusão no âmbito do projeto Mozambique LNG, liderado pela multinacional francesa.

Entre as principais queixas das comunidades diretamente afetadas pela exploração de gás na Área 1 da Bacia do Rovuma estão compensações inadequadas por terras perdidas, problemas no reassentamento, promessas não cumpridas e exclusão dos povos indígenas. Um dos pontos mais críticos é o isolamento completo de Afungi, que hoje só é acessível por avião ou barco.

Alguns moradores ainda não receberam qualquer compensação, e os valores pagos estão muito abaixo do que havia sido acordado. O processo de indenização para pescadores que não podem mais trabalhar na área do projeto também permanece pendente. Além disso, a juventude local demonstra frustração pela falta de empregos, já que as vagas estão sendo ocupadas por pessoas vindas de fora da região.

No passado, durante a fase de exploração conduzida pela americana Anadarko, a situação era diferente. Na época, a multinacional contratava mão de obra local para serviços variados — como sapateiros, alfaiates, lavanderias e jardinagem — permitindo algum ganho imediato, ainda que sem gerar desenvolvimento sustentável. Hoje, os moradores sentem que o isolamento é total e pedem a volta da Anadarko, alegando que a comunicação com a população se perdeu sob a gestão da Totalenergies.

Em março de 2013, a exploração do gás na região de Rovuma trouxe grande movimentação econômica: navios iluminados chegavam ao porto de Pemba, veículos circulavam com intensidade, novas construções surgiam e empresários investiam milhões em hotéis, residências e apartamentos. Anos depois, a americana Anadarko transferiu suas operações para a Totalenergies, que prometeu continuar os acordos previamente firmados com as comunidades.

No entanto, a promessa não se concretizou, gerando descontentamento crescente. Atualmente, o “perímetro verde” de Afungi concentra todas as atividades da Totalenergies, deixando negócios e hotéis fora da área sem clientes e separando moradores de suas áreas de convivência. “Tudo está concentrado dentro de Afungi. Negócios que ficavam fora não têm movimento. Até as barracas desapareceram. Estamos separados, a segurança existe, mas não para o povo”, relatam moradores de Palma.

Recentemente, uma tentativa de reunião entre representantes da população de Palma e da Totalenergies, marcada para 12 de agosto, fracassou devido à ausência dos representantes da multinacional. Uma nova data foi marcada para o dia 21 deste mês, na tentativa de retomar o diálogo.

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