A missão do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Moçambique chega ao fim esta sexta-feira, 29 de agosto. A equipa, liderada pelo economista Pablo Lopez Murphy, esteve em Maputo desde o dia 20 para avaliar a situação económica do país e explorar a possibilidade de um novo acordo no âmbito da Facilidade de Crédito Alargado (ECF, na sigla em inglês), após o Governo ter manifestado interesse em negociar um novo programa de assistência.
Segundo nota divulgada pelo Ministério da Economia e Finanças, esta missão teve caráter exploratório, centrando-se na análise da execução do Plano Económico e Social e Orçamento do Estado (PESOE) referente ao primeiro semestre de 2025, bem como nas projeções macroeconómicas para o último trimestre do ano.
Esta foi a segunda visita do FMI ao país em apenas seis meses. Em março, uma missão também chefiada por Murphy expressou preocupações quanto à retração da economia nacional — com o PIB a registar uma queda de 4,9% no último trimestre de 2024 — reflexo das tensões pós-eleitorais e do aumento do défice orçamental.
Na ocasião, o FMI recomendou reformas estruturais, incluindo ajustes na massa salarial do Estado, revisão dos incentivos fiscais e maior rigor na gestão da dívida pública, por considerar que tais fragilidades comprometem investimentos e áreas sociais prioritárias.
O Governo, por sua vez, solicitou o início de negociações para um novo programa adaptado à sua visão estratégica. Durante a estadia, os técnicos do Fundo mantiveram encontros com representantes do Executivo, do setor financeiro e do setor privado.
O apoio do FMI a Moçambique tinha sido suspenso em 2016, após o escândalo das “dívidas ocultas”, sendo retomado apenas em 2022 com a assinatura de um programa de reformas económicas e estruturais válido até 2025. Este mecanismo assegurou ao país um financiamento de cerca de 470 milhões de dólares, destinado ao Orçamento do Estado, seguido por um desembolso adicional de 300 milhões de dólares do Banco Mundial.
