Cabo Delgado: Três detidos por burlas ligadas ao concurso de ingresso da PRM

A Polícia da República de Moçambique (PRM) em Cabo Delgado deteve, no dia 28 de agosto de 2025, três cidadãos nacionais acusados de se fazerem passar por facilitadores de depósitos bancários no âmbito do concurso básico de ingresso na corporação. Os indivíduos são apontados como responsáveis por diversos casos de burla, envolvendo a recolha de documentos e valores monetários de candidatos que pretendiam efetuar o pagamento da taxa de inscrição.

De acordo com a porta-voz da PRM em Cabo Delgado, Eugénia Nhamussua, os três suspeitos atuavam junto ao balcão do banco Absa, na cidade de Pemba, onde abordavam candidatos oferecendo “ajuda” para acelerar o processo.

Primeiro caso: 17 vítimas enganadas

Segundo as autoridades, o primeiro indiciado recolheu 17 bilhetes de identidade e o dinheiro dos candidatos, com a promessa de entregar posteriormente os comprovativos de depósito. Depois de arrecadar os valores, abandonou o local e tentou simular um depósito de 4 mil meticais através de um agente de serviços financeiros, sem sucesso.

Quando foi localizado, o suspeito já não tinha em sua posse o montante. Em depoimento, confessou ter usado o dinheiro em jogos de azar, perdendo tudo. Além do valor da inscrição, os candidatos eram ainda obrigados a pagar entre 150 e 200 meticais como forma de “agradecimento” pela suposta facilitação.

Segundo caso: detido em flagrante

O segundo indivíduo foi neutralizado no mesmo balcão do Absa, em Pemba, no dia 27 de agosto. Ele tinha recolhido sete documentos de identidade e respetivos valores de diferentes candidatos, quando foi surpreendido pela polícia no momento em que tentava aliciar mais pessoas com o mesmo esquema.

Terceiro caso: abordagem direta a candidatos

Já o terceiro suspeito foi apanhado em flagrante quando recebia dinheiro e documentos de uma vítima, com a promessa de efetuar o depósito bancário. Ao todo, este esquema envolveu pelo menos 26 vítimas, com valores entre 300 e 500 meticais cada.

Um dos detidos admitiu ter usado os montantes para apostar no jogo “Aviator”, confessando que perdeu não só o próprio dinheiro, mas também o das vítimas:

“Levei dinheiro de 26 pessoas, entre 300 e 500 meticais, mas usei para jogar Aviator. Perdi o meu e, depois, na tentativa de recuperar, perdi também o das outras pessoas”, revelou.

Vítimas enganadas por conhecidos

Alguns lesados relataram que foram convencidos por amigos ou conhecidos a confiar nos burladores, apresentados como pessoas de confiança com supostos familiares a trabalhar no banco.

Uma das vítimas contou:

“Fomos ao Absa, era para depositar 450 meticais. O rapaz, que conheço como amigo, disse que tinha um tio no banco e levou nossos documentos e o valor. Só depois percebi que era burla.”

Outra reforçou:

“Eu não conhecia o jovem, foi um amigo que me apresentou. Disseram que tinha alguém dentro do banco que podia ajudar. Entreguei o dinheiro, mas nunca mais vi os comprovativos.”

Face à situação, a PRM apela a todos os candidatos ao concurso de ingresso para que façam os depósitos pessoalmente e desconfiem de qualquer proposta de intermediação.

PRM deixa alerta

“Nem toda ajuda é verdadeira. Recomendamos máxima atenção no tratamento de documentos e pagamentos ligados a concursos públicos”, alertou a porta-voz, Eugénia Nhamussua.

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