Maputo, 4 de setembro de 2025 – A morte de uma criança e o linchamento de um agente da polícia em Bobole, província de Maputo, são considerados “resquícios” das manifestações pós-eleitorais que abalaram Moçambique desde outubro de 2024, segundo o Bastonário da Ordem dos Advogados de Moçambique, Carlos Martins.
De acordo com a Lusa, o caso da criança, de 12 anos, ocorreu durante uma perseguição policial, provocando reação violenta da população que culminou na morte do agente da polícia. O episódio gerou bloqueios na Estrada Nacional 1 (EN1), incêndios de veículos e confrontos com uso de gás lacrimogéneo.
Fontes como SIC Notícias e RTP Notícias confirmam que o agente foi linchado após a morte da criança, refletindo um clima de tensão e instabilidade social. Especialistas em direitos humanos lembram que este tipo de episódio não é isolado. Relatórios da Human Rights Watch e da Amnistia Internacional indicam que, desde outubro de 2024, pelo menos dez crianças morreram e centenas de pessoas foram detidas em protestos relacionados às eleições, além de mais de 300 mortos e milhares de feridos em confrontos com forças de segurança.
Carlos Martins reforçou a necessidade de pacificação no país e criticou tanto a atuação policial quanto a reação da população, defendendo uma investigação imparcial para apurar responsabilidades. Ele salientou que apenas um esclarecimento transparente poderá evitar a repetição de tragédias similares e contribuir para a consolidação da paz e do desenvolvimento nacional.
O episódio reacende o debate sobre a proteção de civis durante manifestações e a importância de uma resposta institucional que garanta os direitos humanos, evitando que protestos políticos resultem em mortes e violências.
