Tropas ruandesas formam militares moçambicanos em curso avançado de infantaria

Um contingente das Forças de Defesa do Ruanda concluiu o treino dos primeiros militares moçambicanos num curso avançado de infantaria, reforçando a cooperação entre os dois países no combate ao terrorismo em Cabo Delgado, no norte de Moçambique.

De acordo com um comunicado divulgado pelo Ministério da Defesa do Ruanda, o grupo de militares ruandeses, que encerrou a sua missão de um ano em território moçambicano na sexta-feira (10), contribuiu para o fortalecimento das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) e para a consolidação das operações conjuntas contra grupos extremistas ativos na região desde 2017.

O contingente foi comandado pelo major-general Emmy Ruvusha, responsável pela Força-Tarefa Conjunta das Forças de Segurança do Ruanda (RFS) em Moçambique, que também destacou o papel das tropas na reconstrução da confiança com as comunidades locais.

Segundo o documento, ao longo da sua missão, as forças ruandesas realizaram operações de contraterrorismo bem-sucedidas, libertando várias áreas que estavam sob o controlo de insurgentes e permitindo o retorno de um número significativo de deslocados internos às suas aldeias.

Durante a cerimónia de encerramento, realizada no distrito de Mocímboa da Praia, o comando foi oficialmente transferido do major-general Emmy Ruvusha para o major-general Vincent Gatama, num evento que contou com a presença de comandantes das duas forças e respetivas equipas.

“Ambos os comandantes expressaram o seu reconhecimento ao contingente cessante pelo profissionalismo, dedicação e impacto positivo alcançado durante o último ano”, indica a nota do Ministério da Defesa ruandês.

Cooperação militar consolidada

Moçambique e o Ruanda formalizaram recentemente a sua cooperação através da assinatura do Acordo sobre o Estatuto das Forças (SOFA, na sigla inglesa), rubricado em 27 de agosto em Kigali, durante a visita oficial do Presidente moçambicano Daniel Chapo.
O documento define as bases jurídicas da presença militar ruandesa em território moçambicano, no âmbito das operações de combate ao extremismo violento em Cabo Delgado.

O Presidente Chapo sublinhou, na ocasião, que o acordo não cria uma nova parceria militar nem prevê o aumento do contingente, que atualmente é composto por mais de dois mil militares ruandeses. Estes atuam em coordenação com as FADM, protegendo áreas estratégicas, incluindo a zona onde se localiza o projeto de gás natural da TotalEnergies.

As forças moçambicanas também contam com o apoio da Tanzânia, ao abrigo de um acordo transfronteiriço, após a retirada, em julho de 2024, da missão militar da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).

Nos últimos meses, o governo moçambicano tem reiterado o seu compromisso de erradicar o terrorismo na província, com o Presidente Chapo classificando os ataques como “atos bárbaros e contrários à dignidade humana”.

De acordo com dados do Projeto de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED), o conflito em Cabo Delgado já provocou mais de 6.200 mortes desde 2017, além de milhares de deslocados internos.

Agência Lusa | DW África | Ministério da Defesa do Ruanda

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