Camarões: Presidente Paul Biya, de 92 anos, toma posse para o oitavo mandato em meio a protestos violentos

O presidente dos Camarões, Paul Biya, de 92 anos, tomou posse nesta quinta-feira (6) em Yaoundé, capital do país, para o seu oitavo mandato consecutivo, após uma reeleição fortemente contestada e marcada por protestos violentos em várias regiões do território.

A cerimônia oficial ocorreu sob forte presença policial e militar, num ambiente tenso devido às manifestações populares que questionam a legitimidade do resultado eleitoral. Nos últimos dias, confrontos entre manifestantes e forças de segurança deixaram várias vítimas e dezenas de detidos, segundo organizações da sociedade civil.

Durante o discurso transmitido pela televisão estatal, Paul Biya reconheceu as dificuldades que o país enfrenta, afirmando estar ciente do descontentamento popular e dos desafios internos e externos que a nação atravessa.


“Tenho plena consciência da gravidade da situação que o nosso país vive. Conheço a profundidade das frustrações e a dimensão das expectativas do povo camaronês”, declarou o chefe de Estado, prometendo “trabalhar pela estabilidade e pela unidade nacional”.

Esta é a oitava vez que Paul Biya assume o cargo desde que chegou ao poder, em 1982, sendo atualmente o presidente mais velho do mundo em exercício. A sua longa permanência no poder tem sido alvo de críticas da oposição e de movimentos pró-democracia, que acusam o regime de autoritarismo e manipulação eleitoral.

Entre os opositores mais destacados está Issa Tchiroma Bakary, ex-ministro do governo de Biya que concorreu nas eleições e reivindica vitória no pleito, alegando irregularidades no processo de contagem de votos.

Apesar das críticas, Biya reafirmou a continuidade de sua liderança, pedindo calma e prometendo reformas econômicas e sociais. Entretanto, organizações internacionais e observadores políticos alertam que o novo mandato deverá ser marcado por instabilidade política e tensões sociais, especialmente nas regiões anglófonas, onde há movimentos separatistas ativos.

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