ALERTA CRÍTICO: Tecnologia obsoleta faz Moçambique levar 3 horas para prever ciclones

​O Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) de Moçambique admitiu publicamente que as limitações nos seus recursos tecnológicos estão a atrasar a emissão de avisos cruciais à população. Num momento em que o país enfrenta cheias generalizadas, a instituição revelou que a análise e interpretação de dados meteorológicos chega a demorar três horas, um intervalo de tempo que pode ser fatal em situações de emergência.

​Segundo Mussa Mustafa, diretor-geral adjunto do INAM, o acompanhamento de fenómenos complexos como ciclones tropicais exige o processamento de um volume imenso de informações. Atualmente, o processo manual e a falta de sistemas automatizados fazem com que o alerta demore o triplo do tempo que levaria se a instituição dispusesse de tecnologias modernas, como radares inovadores e satélites meteorológicos avançados. O responsável sublinha que a meta seria reduzir este tempo de resposta para apenas uma hora.

​Apesar dos entraves técnicos, o INAM emitiu um aviso amarelo para a região sul do país, devido à aproximação de uma depressão tropical no Canal de Moçambique. O fenómeno deverá provocar chuvas intensas e ventos com rajadas até 70 quilómetros por hora, afetando principalmente as províncias de Maputo, Gaza e Inhambane. Além do vento, prevê-se uma forte agitação marítima com ondas que podem atingir os quatro metros.

​A situação humanitária no país é crítica. De acordo com o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), o número de óbitos nesta época chuvosa já subiu para 114, com centenas de milhares de pessoas afetadas. Desde o início de outubro, a destruição de casas já desalojou milhares de famílias, elevando para 72 o número de centros de acomodação ativos, onde se abrigam mais de 88 mil pessoas.

​No terreno, o cenário é de desespero em várias zonas de Maputo e Gaza, onde famílias inteiras continuam sitiadas pelas águas, muitas delas refugiadas nos telhados das suas casas à espera de resgate. As operações de salvamento, que contam com o apoio de meios aéreos, enfrentam dificuldades devido às condições climatéricas adversas. A subida do nível das águas também isolou a capital, mantendo as estradas nacionais N1 e N2 intransitáveis, o que complica o transporte de ajuda e a mobilidade de pessoas e bens.

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