Um homem que se apresentava como terapeuta em Sussex, no Reino Unido, foi condenado a 11 anos de prisão após ter sido considerado culpado de abusar sexualmente de uma paciente, convencendo-a de que os atos faziam parte de um tratamento para curar traumas relacionados com o parto.
A vítima, que sofria de ansiedade e depressão, procurou ajuda em 2021 depois de o suspeito lhe ter sido recomendado por um conhecido. Na altura, acreditou que o homem possuía credenciais profissionais, mas mais tarde descobriu que ele não tinha licença para exercer e que já havia sido expulso da ordem profissional nos anos 80 por comportamentos semelhantes.
Durante as sessões, que ocorriam várias vezes por semana e podiam durar horas, o homem alegava que determinados contactos físicos eram necessários para ajudar a paciente a relaxar e lidar com os seus traumas. Com o passar do tempo, as sessões passaram a envolver nudez e toques íntimos, que ele justificava como parte de um suposto processo terapêutico.
A mulher denunciou o caso às autoridades em fevereiro de 2021, mas inicialmente o processo foi arquivado por alegada falta de provas. Após insistência da vítima e intervenção de uma organização de apoio às mulheres, o caso foi reavaliado e acabou por ser reaberto meses depois.
Segundo a vítima, uma das suas maiores preocupações durante os anos em que o caso esteve em análise era a possibilidade de outras mulheres também estarem a ser enganadas e abusadas pelo mesmo indivíduo.
O tribunal acabou por considerar provado que o acusado manipulou a paciente e aproveitou-se da relação de confiança típica de um processo terapêutico para cometer os abusos.
Na sentença, o juiz afirmou que a mulher procurou ajuda num momento difícil da sua vida e acreditou que estava a ser acompanhada por um profissional qualificado, algo que, segundo o tribunal, não passava de uma mentira. O magistrado recordou ainda que o homem já tinha sido afastado da prática terapêutica décadas antes por comportamentos semelhantes.
Além da pena de prisão, o condenado terá de pagar 9.730 libras de indemnização para ajudar a cobrir os custos do tratamento psicológico que a vítima teve de realizar após os abusos.
