Extraditado de Portugal: Empresário Abdul Gafar Gulam chega a Maputo

O empresário Abdul Gafar Gulam, extraditado de Portugal, chegou esta manhã a Maputo a bordo do voo TP281 da Transportadora Aérea Portuguesa (TAP), que aterrissou no Aeroporto Internacional de Maputo às 07h35, segundo informações da Procuradoria-Geral da República (PGR) à Carta de Moçambique.

Gulam foi detido em Lisboa e entregue às autoridades moçambicanas após pedido formal de extradição. De acordo com a PGR, o empresário será apresentado no dia 26 de março ao Juiz da Instrução Criminal para o primeiro interrogatório judicial como arguido preso.

O empresário era alvo de mandado de captura internacional emitido pelas autoridades moçambicanas e tinha alerta vermelho da Interpol, após ter sido constituído arguido na Operação STOP BC, no processo n.º 3/GCCCOT/22. Neste caso, 40 indivíduos e 32 empresas foram formalmente indiciados.

Segundo o Ministério Público, Gulam é suspeito de crimes como branqueamento de capitais, fraude fiscal, associação criminosa e falsificação de documentos. O empresário teria criado cerca de oito empresas de fachada, usando terceiros, incluindo cidadãos moçambicanos e estrangeiros, para movimentar grandes quantias de dinheiro, principalmente por depósitos em numerário e cheques.

As investigações indicam que, sem exercer atividades comerciais legítimas, as empresas de Gulam transferiram fundos para diversos países, incluindo Portugal, Turquia, China, Hong Kong, Maurícias, Tailândia, Japão, Emirados Árabes Unidos e Malásia. Os valores seriam supostamente destinados à compra de mercadorias que nunca entraram em Moçambique, prejudicando a arrecadação de impostos pelo Estado.

Para justificar as transferências, o empresário, com a ajuda de despachantes aduaneiros e colaboradores bancários, teria falsificado termos de compromisso, faturas proforma e documentos alfandegários, apresentados a bancos e autoridades públicas. Entre 2019 e 2022, estima-se que aproximadamente 140 milhões de dólares tenham sido enviados ao exterior, sob a alegação de compras de mercadorias nunca desembaraçadas em território nacional.

O Ministério Público destaca que, por meio desse esquema, Abdul Gafar Gulam causou danos significativos ao Estado moçambicano, colocando em risco a estabilidade do sistema financeiro e da economia do país.

Fonte: A Carta de Moçambique

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