Liderança da Renamo: quatro nomes apontados como possíveis sucessores

Com o mandato de Ossufo Momade a aproximar-se do fim, volta a ganhar força o debate sobre a sucessão na liderança da Renamo, uma discussão que se mantém desde a morte do histórico líder Afonso Dhlakama, em 2019. Entre os nomes mais apontados como possíveis candidatos à presidência do partido estão Viana Magalhães, Elias Dhlakama, Ivone Soares e Alfredo Magumisse.

A Renamo atravessa atualmente um dos períodos mais difíceis da sua história, depois de ter perdido, em 2024, o estatuto de segunda maior força política para o partido Podemos, contando agora com apenas 28 deputados na Assembleia da República e controlando apenas quatro municípios desde 2023. Este cenário aumentou a pressão interna para mudanças na liderança, com alguns membros, sobretudo antigos guerrilheiros, a defenderem a realização de um congresso antecipado para eleger um novo presidente do partido.

Apesar disso, Ossufo Momade tem afirmado que pretende cumprir o seu mandato até ao fim, conforme estabelecem os estatutos do partido. Ainda assim, fontes internas indicam que os quatro nomes mencionados são vistos como figuras com capacidade para liderar a Renamo no futuro.

Viana Magalhães visto como possível conciliador

Natural da província da Zambézia, Viana Magalhães é considerado um quadro experiente dentro do partido, ao qual pertence desde 1994. Nos últimos tempos, o seu nome tem sido apontado como um dos mais fortes para assumir a liderança.

Entre os fatores que jogam a seu favor está o facto de não ter origem nas fileiras dos antigos guerrilheiros, o que, para alguns membros do partido, pode ajudar a reduzir tensões internas entre antigos combatentes e a atual liderança. Ao longo da sua carreira, trabalhou com diferentes lideranças da Renamo, incluindo Afonso Dhlakama e Ossufo Momade, de quem foi chefe do Gabinete entre 2019 e 2022.

Magalhães já ocupou vários cargos, incluindo responsável pelo sector de formação, delegado do partido em Tete, membro da Comissão Nacional de Eleições, secretário-geral da Renamo entre 2002 e 2005, segundo vice-presidente da Assembleia da República e chefe da Bancada Parlamentar do partido entre 2020 e 2024.

Elias Dhlakama, o general ligado à família histórica

Outro nome frequentemente apontado é o de Elias Dhlakama, irmão de Afonso Dhlakama e general na reserva das Forças Armadas de Defesa de Moçambique. Diferente do irmão, seguiu carreira militar após os Acordos de Paz de 1992 e mais tarde dedicou-se à política ativa na Renamo.

Elias Dhlakama tem sido um dos principais concorrentes de Ossufo Momade nos congressos do partido. Nos congressos de 2019, na Gorongosa, e de 2024, em Alto-Molocué, ficou em segundo lugar na corrida à presidência do partido, consolidando-se como uma figura influente dentro da ala militar e familiar da Renamo. Também já foi deputado da Assembleia da República.

Ivone Soares representa a ala feminina

Entre os possíveis candidatos surge também Maria Ivone Soares, sobrinha de Afonso Dhlakama e uma das figuras mais conhecidas da política moçambicana. A sua carreira política começou há cerca de três décadas e tem ocupado vários cargos dentro do partido.

Ivone Soares já liderou a Bancada Parlamentar da Renamo, foi porta-voz eleitoral, presidiu à liga juvenil do partido e integrou a Comissão Política. No plano internacional, participou no Parlamento Pan-Africano, onde chegou a ocupar funções de vice-presidente da juventude e integrou a Comissão Permanente de Justiça e Direitos Humanos.

Em 2024, foi a única mulher candidata à presidência da Renamo durante o congresso do partido, tendo terminado em terceiro lugar, experiência que considerou importante para incentivar a participação feminina na política.

Alfredo Magumisse, crítico da liderança atual

O quarto nome apontado é Alfredo Magumisse, político conhecido por ser uma das vozes mais críticas da atual liderança do partido. Já foi vice-chefe da Bancada Parlamentar da Renamo e porta-voz da Comissão Política Nacional.

Magumisse foi candidato à presidência do partido no congresso de 2024, onde ficou em quarto lugar. Desde então, tem criticado abertamente Ossufo Momade e a Comissão Política, responsabilizando a liderança pelos maus resultados eleitorais de 2024, que colocaram a Renamo na terceira posição política no país, atrás da Frelimo e do Podemos.

O político defende que a Renamo precisa de uma nova liderança para se reorganizar e recuperar a sua força política no cenário nacional.

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