GCCC prende 11 funcionários das Finanças que cobravam até 10% de suborno em obras públicas

MAPUTO – O Ministério das Finanças está no centro de um novo escândalo financeiro. O Gabinete Central de Combate à Corrupção (GCCC) ordenou a detenção de 11 funcionários da instituição, fortemente indiciados de orquestrar uma rede de corrupção baseada na extorsão de comissões para libertar verbas do Estado destinadas a contratos de empreitadas de obras públicas.

O Esquema: Subornos de 5% a 10%

​As investigações revelam que o grupo condicionava o processamento dos pagamentos estatais à satisfação de subornos. Os detidos são acusados de exigir “comissões” ilícitas que oscilavam entre os 5% e os 10% sobre o valor total desembolsado pelo Estado a favor dos empreiteiros.

​Para além da extorsão em obras públicas, os 11 suspeitos enfrentam ainda acusações criminais por uso indevido de dinheiros públicos e por envolvimento em esquemas fraudulentos relacionados com o fornecimento de bens e a prestação de serviços ao aparelho de Estado.

Alvos na Direcção Nacional do Tesouro

​De acordo com dados apurados pela AIM, os suspeitos não actuavam sozinhos. A rede operava em conluio com intermediários externos e tinha uma estratégia clara: dar prioridade à tramitação de processos e pagamentos associados a contratos de grande envergadura, visando maximizar os lucros ilícitos do grupo.

​À data dos crimes, a totalidade dos 11 detidos encontrava-se afecta à Direcção Nacional do Tesouro. A estrutura dos implicados era transversal: dois dos detidos tinham ligações directas à direção, seis estavam distribuídos por diversos sectores operacionais e os restantes eram técnicos da área de informática.

​Segundo uma fonte da Procuradoria-Geral da República (PGR) — entidade que tutela o GCCC —, os suspeitos já se encontram sob alçada da justiça, estando a decorrer o processo de legalização das detenções no Tribunal Judicial da Cidade de Maputo.

Escândalo estende-se à Administração do CEDSIF

​As ramificações deste esquema atingiram também o braço tecnológico das Finanças. No decurso das mesmas investigações, o GCCC efectuou detenções no Centro de Desenvolvimento de Sistemas de Informação de Finanças (CEDSIF), uma entidade tutelada pelo Ministério das Finanças.

​Foram detidos quadros superiores do CEDSIF, incluindo membros do seu conselho de administração. Estes dirigentes são igualmente suspeitos de envolvimento em práticas corruptas, desvio de fundos estatais e autorização de pagamentos ilícitos.

​Esta megaoperação enquadra-se na recente ofensiva das autoridades moçambicanas que, nas últimas semanas, têm intensificado o cerco ao crime económico, resultando numa vaga de detenções de dirigentes e funcionários de diversas instituições públicas do país.

Outras Notícias do Autor

Trump garante acordo com o Irão sobre Ormuz, manda NATO “ficar longe” e trava ataques de Israel ao Líbano

FMI garante que Moçambique não foi pressionado a antecipar pagamento da dívida

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *