MAPUTO – O Gabinete Central de Prevenção e Combate às Drogas (GCPCD) revelou, na última quarta-feira, um cenário preocupante sobre o envolvimento de cidadãos nacionais no narcotráfico global. Actualmente, 42 moçambicanos encontram-se detidos em estabelecimentos prisionais estrangeiros, espalhados por 13 nações diferentes, devido a crimes relacionados com o tráfico de estupefacientes.
Brasil e Índia no topo das detenções
De acordo com os dados apresentados pelo porta-voz da instituição, José Bambo, o Brasil continua a ser o país com o maior número de moçambicanos sob custódia, contabilizando 22 casos. Segue-se a Índia, com sete detidos.
A lista de países com cidadãos nacionais presos por este crime inclui ainda:
- China e Portugal: 2 cidadãos cada.
- Outros países: Angola, Etiópia, Singapura, Indonésia, Maurícias, Tailândia, Qatar, Rússia e Seychelles (totalizando os restantes 9 casos).
Perfil dos detidos e cronologia das penas
A estatística oficial aponta para uma maior incidência entre o género feminino. Do total de detidos, 24 são mulheres e 18 são homens. Notavelmente, quase metade das mulheres presas (11 no total) cumprem as suas sentenças em território brasileiro.
Relativamente ao período em que as condenações foram proferidas:
- 23 detentos foram sentenciados entre os anos de 2011 e 2020.
- 11 cidadãos receberam as suas penas mais recentemente, no período entre 2021 e 2025.
A severidade das condenações: O peso da Prisão Perpétua
As molduras penais aplicadas aos moçambicanos no exterior variam drasticamente dependendo da legislação local, indo desde penas leves de dois anos até à punição máxima.
O porta-voz destacou a situação de extrema gravidade enfrentada por dois cidadãos: um moçambicano na Tailândia e outro na Indonésia, ambos a cumprir sentenças de prisão perpétua. Estes casos sublinham o rigor das leis asiáticas no combate ao tráfico de drogas, onde as penas podem ser irreversíveis.
