O representante residente do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Moçambique, Olamide Harrison, afirmou que não houve qualquer imposição da instituição para que o país efetuasse o pagamento antecipado da sua dívida, estimada em cerca de 700 milhões de dólares.
Segundo o responsável, o FMI não condiciona negociações à liquidação antecipada de obrigações financeiras. “O Fundo não exige pagamentos antecipados para podermos negociar e nem exigiu, no caso de Moçambique”, esclareceu, acrescentando que o foco atual está na avaliação dos desafios económicos, tanto internos como externos.
Olamide Harrison indicou ainda que, neste momento, não estão reunidas as condições necessárias para a aprovação de um novo programa de financiamento para o país. De acordo com o representante, persistem dificuldades associadas ao contexto económico atual, estando em curso análises macroeconómicas com vista à identificação de soluções adequadas.
“Continuamos a discutir para encontrarmos um conjunto de detalhes específicos para um programa, mas ainda não existem condições”, sublinhou.
Entretanto, recorde-se que Moçambique liquidou, em março, a totalidade da sua dívida junto do FMI, no valor de 701,4 milhões de dólares, numa operação considerada de elevado significado institucional. Dados da instituição indicam que o saldo de crédito pendente passou de 514,04 milhões de direitos de saque especiais (SDR), no final de fevereiro, para zero a 27 de março, após reembolsos no mesmo montante e sem novos desembolsos no período.
A liquidação ocorreu cerca de um mês depois de o FMI ter decidido, em fevereiro, adiar o desembolso de um novo pacote financeiro, apontando a necessidade de avanços adicionais em reformas fiscais na administração pública moçambicana.
O FMI destaca que o país continua a enfrentar um cenário macroeconómico desafiante, marcado por crescimento abaixo do esperado, fragilidades fiscais e níveis de endividamento preocupantes, além da redução da ajuda externa, num contexto de elevadas necessidades de desenvolvimento.
