As bancadas parlamentares da Assembleia da República manifestaram surpresa após declarações do Presidente do Ruanda, Paul Kagame, que sugeriu que as multinacionais que operam em Cabo Delgado e o Estado moçambicano deveriam pagar pelos serviços de segurança prestados pelas forças ruandesas na região.
A proposta gerou diferentes reações entre os partidos representados no parlamento moçambicano. Segundo Dias Letela, da bancada da Frelimo, é necessário rever os acordos assinados inicialmente para avaliar se a sugestão apresentada está em conformidade com o que foi estabelecido. A bancada da Frelimo apelou ainda ao Governo para analisar com cautela as declarações do chefe de Estado ruandês.
Por sua vez, a bancada do partido PODEMOS entende que, caso a proposta seja aceite, o terrorismo poderá nunca terminar. O porta-voz Ivandro Massingue defendeu que empresas de segurança ou mercenários responsáveis por proteger multinacionais poderiam manter a existência de ameaças para garantir a continuidade dos contratos de segurança.
As bancadas da Renamo e do MDM afirmaram que as declarações de Kagame apenas confirmam suspeitas antigas. Arnaldo Chalaua, da Renamo, considerou que o Ruanda está a agir com interesses económicos e que a proposta pode colocar em causa a soberania nacional. O deputado defende que a sugestão deve ser rejeitada, sublinhando que o Estado deve priorizar a proteção da vida humana e não os interesses das multinacionais.
Já a deputada Judite Macuácua, do MDM, exigiu que o Governo apresente no parlamento os custos reais da presença das forças ruandesas em Moçambique ao longo dos anos. A parlamentar defendeu ainda o reforço das Forças Armadas de Defesa de Moçambique como forma de o país deixar de depender de pressões externas.
Os deputados prestaram estas declarações na Assembleia da República durante uma sessão dedicada à análise de informações dos Gabinetes Parlamentares de Combate ao HIV e da Comissão de Petições e Reclamações da Assembleia da República.
Fonte: O País
