Oposição reage às polêmicas declarações de Kagame sobre Cabo Delgado

O Movimento Democrático de Moçambique (MDM) expressou, no parlamento, críticas ao “silêncio do Governo” face às declarações do Presidente do Ruanda, Paul Kagame, sobre o contingente militar ruandês em Cabo Delgado, afirmando que a presença dessas tropas está ligada a “interesses económicos”.

“Hoje somos confrontados com declarações públicas do Presidente Kagame, que sugerem de forma explícita que Moçambique poderá ter de arcar financeiramente com a presença militar ruandesa caso deseje manter a estabilidade e segurança em Cabo Delgado. Estas declarações, além de apontarem para possíveis acordos pouco transparentes entre o Governo de então e o Ruanda, constituem um constrangimento diplomático e político para o país”, declarou a deputada Judite Macuácua.

Ela acrescentou: “Mais preocupante ainda é o silêncio do Governo atual diante de declarações tão graves e sensíveis”, referindo-se à afirmação de Kagame de que Moçambique e os megaprojetos de gás devem contribuir para os custos da operação militar.

A Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO) também manifestou críticas à presença das tropas ruandesas em Cabo Delgado, solicitando esclarecimentos sobre os benefícios para ambos os países.

“Em tempo oportuno dissemos que nenhum Estado mobiliza o seu exército para outro país para combater gratuitamente. Estamos certos de que, se o Governo da Frelimo não atender às exigências de Paul Kagame, Moçambique poderá transformar-se numa RDC: a pilhagem dos nossos recursos será devastadora e a guerra em Cabo Delgado nunca terminará”, afirmou o deputado José Manteigas.

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