Maputo, Manhã de Sábado (25 de Abril de 2026) — Numa operação coordenada para travar a criminalidade a partir do interior das celas, o Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) apresentou hoje os resultados de uma incursão surpresa ao Estabelecimento Penitenciário Provincial de Maputo. A ação resultou na apreensão de uma quantidade significativa de dispositivos eletrónicos e substâncias ilícitas.
O Balanço da Operação: Tecnologia e “Esconderijos Sagrados”
Durante a intervenção, que contou com o apoio do Serviço Nacional Penitenciário (SERNAP) e da Unidade de Intervenção Rápida (UIR), as autoridades confiscaram:
- 57 telemóveis no total, dos quais 24 são smartphones de última geração.
- Pequenas porções de Cannabis Sativa (suruma).
- Uma bíblia, que curiosamente tinha o seu interior escavado para servir de esconderijo a alguns dos telemóveis.
O “Modus Operandi”: Mensagens e Clonagem de WhatsApp
Segundo os dados avançados pelo SERNIC, os reclusos utilizavam estes aparelhos para orquestrar esquemas de fraude eletrónica em larga escala. As táticas mais comuns incluíam:
- Mensagens de Engano: O envio massivo de SMS com o texto “Manda para este número”.
- Links Maliciosos: Criação de supostos sorteios e jogos com prémios falsos que, ao serem clicados pelas vítimas, permitiam a clonagem imediata de contas de WhatsApp.
Investigação Interna: Quem Deixa Entrar os Aparelhos?
O porta-voz do SERNIC, Hilário Lole, foi incisivo ao afirmar que a investigação não se limita aos detidos. Estão em curso diligências para identificar quem são os facilitadores que permitem que esta tecnologia chegue às mãos dos reclusos.
”Não descartamos a hipótese de envolvimento de agentes penitenciários”, sublinhou Lole, indicando que a fiscalização interna será reforçada.
Os reclusos apanhados em posse dos dispositivos e envolvidos nas burlas deverão enfrentar sanções disciplinares e processos criminais adicionais.
Alerta às Vítimas
O SERNIC aproveitou a ocasião para emitir um aviso público, apelando à população para redobrar a vigilância perante o crescente número de burlas eletrónicas. A recomendação é clara: nunca clicar em links de origem desconhecida nem realizar transferências para números não identificados, mesmo que pareçam vir de contactos conhecidos.
