Sábado, 25 de abril de 2026 — O CEO da gigante petrolífera francesa TotalEnergies, Patrick Pouyanné, lançou um aviso severo sobre o futuro do abastecimento energético europeu. Segundo o responsável, a Europa poderá enfrentar uma crise de escassez de combustível sem precedentes se o bloqueio ao Estreito de Ormuz se prolongar por mais dois ou três meses.
As declarações foram proferidas durante uma conferência organizada pelo Instituto Francês de Relações Internacionais (IFRI), em Chantilly, e transmitidas este sábado pelo canal BFMTV.
O Prazo de Segurança: 60 a 90 Dias
Pouyanné sublinhou que as reservas excedentes, que serviam de almofada de segurança para o mercado europeu, já foram totalmente consumidas. Sem este excedente, a margem de manobra é mínima.
”Se a situação continuar por mais dois ou três meses, entraremos numa era de escassez de energia como a que já foi vivenciada por alguns países asiáticos”, enfatizou o CEO.
O cerne do problema reside na inacessibilidade de cerca de 20% das reservas globais de petróleo e gás, atualmente retidas devido ao encerramento quase total daquela via marítima pelo Irão. O bloqueio surge como uma resposta direta ao conflito que envolve os Estados Unidos e Israel.
Alternativas Insuficientes: O Gargalo dos Oleodutos
Para o líder da TotalEnergies, a dependência do petróleo “muito barato” proveniente do Golfo Pérsico torna o Estreito de Ormuz indispensável. Atualmente, as rotas alternativas terrestres não conseguem escoar o volume necessário para satisfazer a procura global.
Embora existam infraestruturas para contornar o bloqueio, Patrick Pouyanné classifica-as como insuficientes. Atualmente, o escoamento limitado é feito através de:
- Arábia Saudita: Um oleoduto que liga os poços de extração ao porto de Yanbu, no Mar Vermelho.
- Emirados Árabes Unidos: Possuem uma linha que contorna o estreito.
- Iraque: Transporte de petróleo desde Kirkuk, no Curdistão, até ao porto turco de Ceyhan, no Mediterrâneo.
A Urgência de Novos Investimentos
O responsável defende que a solução para a crise passa por dois eixos: a resolução diplomática e militar rápida do conflito e, a longo prazo, o investimento em infraestruturas de transporte.
”O facto de não haver saídas suficientes para o estreito de Ormuz é um grande problema”, afirmou Pouyanné, apelando à construção urgente de novos oleodutos que permitam ligar diretamente os produtores aos mercados consumidores sem a vulnerabilidade das passagens marítimas estreitas.
Se o bloqueio persistir conforme previsto, a Europa poderá ver-se obrigada a implementar medidas de racionamento ou enfrentar subidas drásticas nos preços da energia, seguindo o rasto da instabilidade já sentida no mercado asiático.
Fonte: Lusa / SIC Notícias
