Paulina Chiziane é consagrada “Melhor Escritora de África” no African Award 2026

LUANDA, Angola — A literatura moçambicana alcançou um novo patamar de reconhecimento internacional na noite de 28 de abril de 2026. Em uma cerimônia de gala realizada no Hotel Epic Sana, em Luanda, a escritora Paulina Chiziane foi laureada com o título de “Melhor Escritora de África de 2026” durante o African Award – Creators and Directors Excellence 2026.

​O prêmio tem como objetivo central celebrar personalidades que se destacam na promoção da identidade e cultura do continente através da arte, da criatividade e, neste caso específico, da literatura. Para Chiziane, esta distinção consolida uma carreira marcada pela análise profunda de temáticas sociais e culturais complexas, características indissociáveis da sua escrita.

​O evento é considerado uma das vitrines de maior prestígio para a cultura africana, focando-se em talentos que deixam um legado duradouro e servem de inspiração para as futuras gerações de criadores no continente.

Uma trajetória de pioneirismo e estórias

​Nascida em 1955, em Manjacaze, Moçambique, Paulina Chiziane trilhou um caminho singular. Embora tenha estudado Linguística em Maputo, não chegou a concluir a graduação, encontrando na ficção a sua verdadeira voz. Iniciou a sua jornada literária publicando contos em veículos como a revista Tempo e a «Página Literária» do jornal Domingo.

​A sua relevância histórica foi selada em 1990 com a publicação de Balada de Amor ao Vento, o primeiro romance lançado por uma mulher em Moçambique independente. A sua bibliografia seguiu com obras de impacto, como Ventos do Apocalipse (concluído em 1991 e lançado internacionalmente em 1999), O Sétimo Juramento (2000) e o célebre Niketche (2002).

​Apesar do rótulo de romancista, Paulina prefere uma definição mais ancestral para o seu ofício: «Dizem que sou romancista e que fui a primeira mulher moçambicana a escrever um romance, mas eu afirmo: sou contadora de estórias e não romancista», declara a autora.

Reconhecimento Internacional

​Este novo prêmio em Luanda soma-se a outras honrarias de peso na trajetória da autora. Em 2014, Chiziane foi condecorada pelo Estado português com o grau de Grande Oficial da Ordem Infante D. Henrique. Anos mais tarde, em 2021, atingiu o ápice das letras em língua portuguesa ao vencer o prestigiado Prémio Camões, consolidando o seu lugar como uma das vozes mais fundamentais da literatura contemporânea.

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