Na última sexta-feira, 24 de Abril, a Casa Branca destituiu subitamente todos os 22 integrantes do National Science Board (NSB). Este órgão é a entidade responsável por ditar as directrizes da National Science Foundation (NSF), a agência que financia uma vasta fatia da investigação científica básica nos Estados Unidos, gerindo um orçamento anual na ordem dos 9 mil milhões de dólares (cerca de 9 bilhões).
A exoneração teve efeito imediato e foi comunicada aos conselheiros através de um curto e-mail, enviado em nome do presidente Donald Trump, sem que fossem detalhados os motivos da decisão na mensagem. Posteriormente, em resposta a questões colocadas pela revista científica Nature, um porta-voz da Casa Branca justificou a medida com uma deliberação de 2021 do Supremo Tribunal (Suprema Corte) norte-americano, referente ao caso Estados Unidos contra Arthrex.
Segundo o porta-voz, essa decisão judicial levantou dúvidas constitucionais sobre a legitimidade de conselheiros não confirmados pelo Senado exercerem poderes delegados pelo Congresso. Vale ressaltar que os membros do NSB eram inicialmente sujeitos à aprovação do Senado, uma prática que foi descontinuada a partir de 2012.
Uma agência histórica sob tensão
Tanto a NSF como o respectivo conselho (NSB) foram instituídos pelo Congresso dos EUA em 1950. O grupo reúne-se cinco vezes por ano com a missão de aconselhar o Presidente e o poder Legislativo sobre a política científica nacional. A próxima reunião do conselho estava agendada para o dia 5 de Maio e teria como ponto alto a divulgação de um relatório que alertava para a perda de liderança dos EUA no sector da ciência em favor da China.
Esta destituição em massa é apenas a mais recente de uma série de acções da administração Trump dirigidas à NSF. O historial recente inclui uma proposta governamental para cortar mais de metade do orçamento da agência durante dois anos consecutivos — uma intenção que acabou rejeitada pelo Congresso para o ano de 2026. A par disso, o governo avançou com o cancelamento de mais de 1.600 bolsas de investigação que já se encontravam aprovadas, representando um corte de cerca de 1 mil milhão de dólares.
Reacções divididas na esfera política
A medida gerou reacções polarizadas em Washington. O republicano Brian Babin, presidente da Comissão de Ciência da Câmara dos Representantes, saiu em defesa da decisão, argumentando que é expectável que qualquer presidente exija que os seus conselheiros actuem em consonância com as prioridades do poder Executivo e Legislativo.
Em sentido oposto, a deputada democrata Zoe Lofgren, apoiada por uma parte significativa da comunidade científica, teceu duras críticas à demissão dos conselheiros, manifestando uma profunda preocupação com o que consideram ser uma perigosa politização da agência científica norte-americana.
