Maputo – Em resposta à recente escalada de violência xenófoba na vizinha África do Sul, a Aliança Jovem Anamola anunciou esta segunda-feira, 4 de Maio, o lançamento de uma campanha de boicote cultural intitulada “Uma Semana Sem Amapiano”. A iniciativa visa silenciar temporariamente a reprodução do popular estilo musical sul-africano em todo o território nacional, como forma de repúdio pelos ataques contra imigrantes.
De acordo com o comunicado emitido pela Direcção Nacional de Planificação, Cultura e Desporto da organização, os ataques sistemáticos e as agressões contra cidadãos moçambicanos e de outras nacionalidades africanas têm causado vítimas mortais, feridos e avultados prejuízos económicos. O documento critica ainda a “aparente passividade das estruturas governamentais locais” na África do Sul perante os actos de vandalismo e saque.
A Medida e a sua Aplicação
Como gesto de solidariedade para com as vítimas, a interrupção da reprodução do ritmo “Amapiano” entra em vigor a partir das 00h00 desta terça-feira, 5 de Maio, estendendo-se até ao dia 12 de Maio de 2026.
A Aliança Jovem Anamola determinou que o boicote abrange todos os eventos públicos e privados, bem como estabelecimentos de lazer e entretenimento em Moçambique. Para garantir o sucesso da campanha, a organização dirigida por Higino Fumo lançou também um apelo directo às estações de rádio, televisão e restantes órgãos de comunicação social para que adiram à iniciativa.
”A cultura é uma ferramenta de união, mas também de resistência”, destaca a nota oficial. “Ao silenciarmos temporariamente um ritmo originário do país vizinho, pretendemos enviar uma mensagem clara de que a vida dos nossos concidadãos e a dignidade africana estão acima de qualquer entretenimento”.
A campanha, que decorre sob o lema “Pelos Direitos, pela Cultura e pela Vida”, surge num momento de elevada tensão social e diplomática, marcando uma forma inovadora de pressão e reivindicação cultural por parte da sociedade civil moçambicana.
