O que começou como uma tensão interna no partido PODEMOS escalou para um escândalo político de proporções institucionais. Uma nota aberta assinada por Hélder Mendonça, membro da formação política, expõe graves irregularidades que atingem a liderança do partido e levantam dúvidas sobre a integridade de processos dentro da Assembleia da República.
O documento, endereçado a altas figuras do Estado moçambicano — incluindo Daniel Francisco Chapo — descreve um cenário de nepotismo, perseguição política e gestão danosa de fundos públicos. O relato de Mendonça contrasta severamente com as bandeiras de ética e transparência que o partido tem defendido publicamente.
Irregularidades na Assembleia da República
Um dos pontos centrais da denúncia foca-se na substituição do 2.º Vice-Presidente da Assembleia da República. Segundo Mendonça, o processo foi “viciado” e marcado pela violação do direito ao contraditório, acusando a liderança partidária de impor decisões políticas sobre os órgãos do Estado sem respeitar as normas institucionais. O documento critica ainda o Parlamento por validar tal processo sem garantir a audição prévia do visado.
Nepotismo e Listas Eleitorais
A acusação de nepotismo ganha contornos específicos com a denúncia de que familiares de dirigentes foram inseridos em listas eleitorais. Destaca-se o caso da esposa de um alto quadro do partido, que teria sido promovida a cabeça de lista sem cumprir os critérios internos exigidos. Esta situação terá provocado revolta entre os militantes e aprofundado as divisões internas pelo controlo do poder.
Gestão de Fundos e Má Conduta Administrativa
No plano financeiro, Mendonça aponta suspeitas de má gestão dos fundos públicos atribuídos ao partido. A denúncia detalha indícios de:
- Divergências injustificadas de valores;
- Alegada sobrefaturação;
- Restrições deliberadas no acesso à informação financeira.
Estas alegações, se confirmadas, poderão abrir caminho para investigações formais pelas autoridades competentes.
Manipulação de Órgãos Internos
A denúncia estende-se à 11.ª Sessão do Conselho Central do PODEMOS, onde terão ocorrido alterações indevidas nas regras estatutárias, exclusão arbitrária de membros e tomada de decisões à margem dos procedimentos legais do partido. Mendonça sustenta que as estruturas partidárias estão a ser usadas para silenciar vozes críticas e consolidar interesses pessoais, transformando a bancada parlamentar numa extensão destas disputas internas.
