A Organização Mundial da Saúde (OMS) iniciou uma operação urgente para identificar e contactar mais de 80 pessoas que partilharam um voo com uma cidadã neerlandesa infetada pelo hantavírus. A passageira, que desembarcou de um navio de cruzeiro, foi transportada da remota ilha de Santa Helena para Joanesburgo, na África do Sul, pouco antes de falecer.
O Percurso da Paciente e o Voo da Airlink
A mulher, de 69 anos, chegou a Santa Helena a 24 de abril apresentando problemas gastrointestinais. No dia seguinte, embarcou num voo da companhia sul-africana Airlink com destino a Joanesburgo. Infelizmente, a paciente acabou por morrer num hospital a 26 de abril, tendo a confirmação da infeção por hantavírus sido ratificada apenas na passada segunda-feira.
O voo em questão, realizado a 25 de abril, transportava 82 passageiros e seis tripulantes. Segundo Karin Murray, diretora da Airlink, as autoridades sul-africanas já pediram à companhia que alerte todos os viajantes para contactarem o Ministério da Saúde, caso ainda não tenham sido interpelados. Maria Van Kerkhove, diretora interina da OMS para Prevenção e Preparação, admitiu que existe a suspeita de transmissão entre humanos em situações de contacto muito próximo.
O Navio de Cruzeiro MV Hondius
A origem do surto está centrada no navio MV Hondius, onde o marido da vítima, de 70 anos, também perdeu a vida. O navio, que transportava 149 pessoas (incluindo 88 passageiros de 23 nacionalidades), partiu de Ushuaia, na Argentina, a 20 de março, com o objetivo de realizar turismo de observação de vida selvagem no Atlântico Sul, antes de seguir para as Canárias.
Atualmente, o navio encontra-se em Cabo Verde, mas deverá partir em breve para as Canárias ou para os Países Baixos. Recentemente, três pessoas foram evacuadas da embarcação no arquipélago cabo-verdiano por precaução médica.
Sintomatologia e Balanço de Vítimas
Até ao momento, a OMS contabiliza três mortes associadas a este possível surto a bordo. Os primeiros sinais de doença foram reportados entre 6 e 28 de abril, caracterizando-se por:
- Febre e fadiga;
- Sintomas gastrointestinais;
- Evolução rápida para pneumonia e síndrome respiratória aguda;
- Estado de choque.
Avaliação de Risco
Apesar da gravidade dos casos individuais e da rapidez da progressão da doença, a OMS avalia o risco para a população mundial como baixo. A organização assegura que manterá a vigilância epidemiológica ativa e atualizará as diretrizes conforme novos dados surjam.
