MAPUTO – A proeminente activista social e presidente da Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade (FDC), Graça Machel, defendeu hoje a necessidade urgente de converter os direitos constitucionais em ferramentas económicas práticas para as mulheres. O posicionamento foi manifestado durante o acto de entrega de um relatório de auscultação e propostas de revisão legislativa à Comissão Técnica para Materialização do Diálogo Nacional Inclusivo (COTE).
O Peso dos 52%: A Analogia da “Mão Única”
Graça Machel foi incisiva ao analisar a estrutura demográfica e económica de Moçambique, sublinhando que as mulheres compõem a maioria da população, mas permanecem à margem das grandes decisões financeiras.
“Nenhum país vai ser próspero tendo 52% da população marginalizada. É como querer fazer desenvolvimento com uma mão — não vai funcionar”, sentenciou a activista, referindo-se à exclusão sistémica das mulheres.
Comércio Informal: O Pilar Invisível da Estabilidade
Citada pelo portal Ngani, a presidente da FDC deu especial destaque ao sector do comércio informal. De acordo com Machel, este é o sector que garante a subsistência da maioria das mulheres e a própria paz social do país, embora continue a ser negligenciado pelas políticas públicas. Para a activista, o comércio informal não é apenas uma actividade de sobrevivência, mas a base que sustenta a estabilidade social de Moçambique.
Radiografia e Soluções Concretas
O trabalho da FDC foi recebido com entusiasmo pelo presidente da COTE, Edson Macuácua. O responsável elogiou a abordagem da fundação, destacando que a instituição não se limitou a listar dificuldades.
“A FDC diferencia-se de outras organizações porque não apresentou apenas problemas, constatações e desafios. Trouxe uma radiografia geral e propostas legislativas concretas. Não se abre uma porta já aberta — é para se trazer mudanças”, afirmou Macuácua durante a recepção dos documentos.
Consulta Nacional
O relatório entregue hoje é o resultado de um processo de auscultação abrangente, que percorreu todas as províncias do país. O pacote inclui propostas específicas de alteração à lei, visando remover as barreiras que impedem uma inserção mais robusta e digna da mulher na economia nacional.
