O Instituto de Comunicação Social da África Austral (MISA Moçambique) condenou publicamente a postura da Presidente do Conselho Autárquico de Mocímboa da Praia, Helena Bandeira. A edil está a ser alvo de fortes críticas após uma denúncia dar conta de que terá utilizado expressões ofensivas contra António Bote, jornalista da Rádio Zumbo, emissora sediada em Pemba, na província de Cabo Delgado.
A Greve, o Contraditório e o Insulto
O incidente ocorreu quando o profissional de comunicação entrou em contacto com a autarca para apurar os factos e recolher a versão oficial do município sobre uma greve em curso. A paralisação foi desencadeada pelos funcionários da autarquia, que protestavam contra alegados atrasos no pagamento dos seus salários.
No estrito cumprimento do seu dever jornalístico de procurar o contraditório, o repórter deparou-se com uma atitude hostil. Em vez de prestar os devidos esclarecimentos institucionais, Helena Bandeira recusou-se a falar sobre o assunto e atacou o jornalista com palavras ásperas, disparando: “Vai passear longe… vai te lixar com tua rádio.”
Violação da Lei e do Direito à Informação
Através de um comunicado emitido nesta quinta-feira (21 de maio de 2026), a partir de Maputo, o MISA Moçambique manifestou o seu total repúdio. A organização defende que a tentativa de contacto feita pelo jornalista está plenamente amparada pela Lei n.º 34/2014, de 31 de dezembro, que consagra o direito ao acesso à informação.
A entidade sublinha ainda que ouvir a entidade visada é um pilar fundamental e inegociável do jornalismo, servindo para garantir que a produção noticiosa seja equilibrada, rigorosa e responsável perante o público.
Apelo à Urbanidade e Fim da Intimidação
Para o MISA Moçambique, a recusa em prestar contas, agravada pelo uso de insultos, destrói o ambiente de diálogo que deve prevalecer entre os governantes e a comunicação social.
A nota termina com um apelo direto a todos os titulares de cargos públicos para que mantenham o respeito institucional e a urbanidade. O MISA adverte que o recurso a linguagens desadequadas e agressivas funciona como uma tática de intimidação, que visa impedir os jornalistas de cumprirem a sua missão de escrutinar o poder e promover a transparência nos processos de governação.
