Política Monetária: Banco de Moçambique Afasta Cenário de Voltar a Financiar Importação de Combustíveis

​O Banco de Moçambique reiterou publicamente que não tem qualquer intenção de retomar a comparticipação na factura de importação de produtos petrolíferos através da disponibilização de divisas. A clarificação surge num momento em que várias cidades moçambicanas enfrentam uma crise no abastecimento de combustíveis. Cabe recordar que a autoridade bancária central cessou o apoio financeiro a este sector em meados do ano de 2023.

Financiamento Fora de Questão

​As declarações foram proferidas pelo governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, no encerramento da terceira sessão do Comité de Política Monetária (CPMO). Quando questionado pelos jornalistas sobre um eventual regresso do banco central ao circuito financeiro dos combustíveis, o governador foi categórico: “Sobre participação do Banco de Moçambique no combustível, nós já saímos há muito tempo. Já explicamos nas várias sessões, porque é que saímos e não temos intenções nenhuma de voltar a financiar o combustível. Está fora de questão. Isso não é assunto neste momento”.

​Zandamela justificou a posição da instituição explicando que o mercado cambial está a ser devidamente assegurado pelos bancos comerciais, os quais têm alocado moeda estrangeira directamente às empresas petrolíferas. O governador elogiou o papel do sector financeiro privado, sublinhando que os dados comprovam o compromisso das instituições de crédito em priorizar a importação de combustíveis na distribuição dos seus fundos cambiais.

Gasolineiras “Falidas” Sem Acesso a Garantias

​Relativamente às queixas apresentadas por algumas gasolineiras sobre a falta de garantias bancárias para a importação, Rogério Zandamela foi directo e atribuiu a responsabilidade à fragilidade financeira dessas empresas, classificando algumas delas como “falidas” ou “quebradas”.

​O governador lembrou que as garantias bancárias funcionam como linhas de crédito e que, no modelo de avaliação de risco adoptado pelos bancos comerciais, as instituições não emitem garantias a clientes sem capacidade de endividamento. Segundo o timoneiro do Banco Central, os dados provam que o volume de garantias disponíveis no mercado está muito aquém dos limites máximos autorizados, o que demonstra que há espaço para os bancos comerciais concederem mais fundos, optando por não o fazer apenas devido à insolvência das empresas devedoras.

Estabilidade das Reservas Internacionais Líquidas

​Durante a mesma conferência de imprensa, Rogério Zandamela refutou com veemência as teses de que o balanço do Banco de Moçambique teria ficado arruinado após a utilização de reservas financeiras do Estado para amortizar integralmente uma dívida de cerca de 700 milhões de dólares americanos junto do Fundo Monetário Internacional (FMI).

​O gestor assegurou que o pagamento antecipado ao FMI não fragilizou as contas da instituição reguladora. De acordo com Zandamela, o país retém um nível de reservas internacionais considerado “extremamente confortável”, com capacidade para cobrir cinco meses de importações de bens e serviços.

A Queda Recente nas Reservas

​Apesar do tom tranquilizador do governador, dados estatísticos do próprio Banco de Moçambique detalham que as Reservas Internacionais Líquidas (RIL) registaram uma quebra de 18% no mês de Março, fixando-se em 3,4 mil milhões de dólares americanos — o valor mais baixo reportado no último ano. Esta contracção deveu-se especificamente à liquidação da referida dívida ao FMI.

​Antes desta operação de pagamento, as reservas de divisas estrangeiras de Moçambique vinham a registar uma trajectória de crescimento contínuo desde Setembro de 2023, tendo alcançado um recorde histórico de 4,2 mil milhões de dólares no mês de Fevereiro de 2026.

Fonte Original: Carta de MZ (com dados estatísticos cedidos via Lusa)

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