“Há de Haver um Espetáculo Muito Grande”: A Previsão de Moyana Para o Dia em Que a Frelimo Perder

O jornalista e analista político Salomão Moyana prevê um cenário de grande turbulência no dia em que houver alternância de poder em Moçambique. As declarações foram feitas durante uma reflexão sobre a falta de continuidade governativa e a ausência de coerência na liderança do partido que dirige o Estado desde a independência.

​O panorama político nacional foi alvo de uma análise profunda no programa “A Semana com Salomão Moyana”, emitido pela estação televisiva MBC. Numa intervenção marcada por críticas contundentes à forma como a máquina do Estado tem sido gerida, o comentador traçou um cenário inédito para o futuro do país caso a oposição vença um escrutínio: “Aqui deve haver um espetáculo de caráter muito grande no dia em que a Frelimo perder as eleições”.

​A Falsa Ilusão de Transição a Cada 10 Anos

​Para Salomão Moyana, o problema central de Moçambique não reside exclusivamente na perspetiva de uma mudança de partido no poder, mas na gritante falta de continuidade dentro da própria Frelimo, força política que governa ininterruptamente desde 1975.

​O analista sublinhou que o país assiste, a cada ciclo governativo de sensivelmente dez anos, a um “corte absoluto em relação ao passado”. Esta dinâmica, segundo Moyana, acaba por simular uma falsa transição de regime a cada mudança de Presidente, gerando instabilidade nas políticas públicas.

​Avaliando a fragilidade institucional provocada por estas ruturas cíclicas, o jornalista levantou uma questão pertinente: “Estamos a ter esses cortes graves de continuidade dentro do mesmo partido. Agora imagina se fosse um partido diferente”.

​Líderes Que Renunciam ao Próprio Passado

​Outro dos alvos das críticas do veterano jornalista foi o comportamento das elites políticas que transitam entre diferentes governos. Moyana lamentou a facilidade com que as mesmas figuras — que desenharam ou sustentaram as políticas de executivos anteriores — adotam rapidamente um discurso de rutura em relação às suas próprias ações.

​De acordo com o analista, é paradoxal observar que os mesmos dirigentes continuam a ocupar assentos nos órgãos de decisão do partido e do Governo, demonstrando-se em simultâneo “capazes de renegar o seu passado de há dois anos atrás”.

​A intervenção terminou com um forte apelo à maturidade das instituições estatais e à responsabilidade política. Exigindo o fim desta cultura de desresponsabilização histórica por parte dos governantes, Salomão Moyana rematou de forma categórica: “Isso não pode, isso tem que acabar”.

(Com base na análise veiculada pela MZ News e MBC)

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