O político Justino Monjane foi formalmente constituído arguido pelo Ministério Público, esta segunda-feira, 1 de junho de 2026. A audição decorreu na Procuradoria de KaMpfumo e insere-se nas investigações sobre o alegado pagamento de 219 milhões de meticais para a compra da “verdade eleitoral” — um montante que terá sido supostamente recebido por Albino Forquilha, presidente do partido PODEMOS.
Apesar da nova condição legal, Monjane não foi sujeito a prisão preventiva. O órgão de justiça determinou que o político aguardará o desenrolar das próximas fases processuais e o respetivo julgamento em liberdade. Ficou, no entanto, fixado um prazo de cinco dias para uma nova comparência obrigatória, momento em que deverá ser informado sobre o desfecho da fase de instrução.
”Mal-Entendido” e Deduções Baseadas no CDD e CTA
À saída do interrogatório, Justino Monjane falou à imprensa, optando por desvalorizar o peso das acusações. O político baseou a sua defesa na premissa de que as suas declarações públicas anteriores sobre o caso sofreram uma má interpretação.
O arguido argumentou perante o Ministério Público que nunca fez uma afirmação taxativa e com certeza absoluta de que Albino Forquilha recebeu exatamente 219 milhões de meticais. Segundo a sua versão dos factos, Forquilha admitiu ter recebido determinados fundos e tê-los depositado numa conta bancária — de onde o dinheiro terá desaparecido “misteriosamente” —, mas nunca especificou a quantia exata.
”A verdade é que fiquei arguido do caso, vou aguardar o julgamento estando em casa, porque ficou comprovado que a afirmação que dei não foi taxativa”, justificou Monjane aos jornalistas.
Quando questionado sobre o motivo que o levou a mencionar a quantia específica de 219 milhões, o político explicou que se tratou de uma dedução lógica pessoal. Monjane cruzou a admissão de Forquilha de que teria recebido dinheiro da Confederação das Associações Económicas (CTA) com as denúncias públicas feitas por Adriano Nuvunga, diretor do Centro para Democracia e Direitos Humanos (CDD).
”Fiquei a saber que eram 219 milhões por conta de uma entrevista que deu o diretor do CDD. Por isso, quando uma TV me perguntou se ele teria recebido o valor (…) deduzi que era esse valor em causa”, explicou.
Incidente Insólito com a Defesa Jurídica
A audição na Procuradoria ficou ainda marcada por um episódio inesperado que gerou forte desagrado ao arguido. Justino Monjane revelou que o seu advogado de confiança desapareceu de forma imprevista à hora marcada para o interrogatório.
Perante a ausência do mandatário, o Estado foi forçado a acionar os mecanismos de apoio, nomeando um defensor oficioso através do Instituto de Patrocínio e Assistência Jurídica (IPAJ) para acompanhar a sessão.
O político mostrou-se altamente descontente com a situação, considerando que esta substituição de última hora prejudicou a sua defesa técnica. Monjane queixou-se de uma alegada falta de zelo por parte dos defensores públicos do IPAJ e assegurou que irá envidar todos os esforços para localizar o seu advogado original antes de regressar à Procuradoria dentro de cinco dias.
(Com base em informações veiculadas pela plataforma Evidências)
