Quase 2,8 Milhões por Mês: Os Salários Milionários dos Chefes do Banco de Moçambique em Ano de Crise

300,9 milhões de meticais para pagar aos seus órgãos de gestão durante o ano económico de 2025. O aumento das remunerações da cúpula do banco central surge em contraciclo com os resultados da instituição, que encerrou o ano com perdas financeiras avultadas.

​As Demonstrações Financeiras do banco central, especificamente detalhadas na Nota 30 (“Gastos com o Pessoal”) e na Nota 32 (“Partes Relacionadas”), revelam que os pagamentos efetuados ao longo do ano transato superaram os 294,4 milhões de meticais gastos no exercício de 2024. O relatório financeiro classifica estes encargos como “benefícios de curto prazo atribuídos ao pessoal-chave de gestão”.

​Em termos absolutos, a massa salarial destinada aos dirigentes sofreu um incremento de 6,6 milhões de meticais num único ano, o que se traduz numa subida de aproximadamente 2,2%.

​Quase 2,8 Milhões de Meticais por Mês para Cada Gestor

​A estrutura diretiva do Banco de Moçambique é composta por um grupo restrito de nove membros: seis administradores que integram o Conselho de Administração e três responsáveis do Conselho de Auditoria.

​Feitas as contas a esta elite de gestão, cada membro auferiu, em média, 33,4 milhões de meticais ao longo de 2025. Dividindo por doze meses, o rendimento médio salarial por gestor rondou os 2,79 milhões de meticais mensais.

​Estes números representam um salto face a 2024, período em que a remuneração média anual por cada um dos nove dirigentes se ficava pelos 32,7 milhões de meticais (cerca de 2,73 milhões de meticais por mês).

​Remunerações Sobem num Ano de Prejuízos Históricos

​Os dados revelados ganham maior contorno quando cruzados com o desempenho financeiro do banco central em 2025. O ano foi considerado particularmente adverso para a instituição, que fechou as contas com um prejuízo líquido de 13,34 mil milhões de meticais. Este saldo negativo representa um agravamento drástico face a 2024, ano em que as perdas já se tinham fixado na ordem dos 4,15 mil milhões de meticais.

​Apesar deste buraco financeiro, os custos com os órgãos de gestão não sofreram cortes, mantendo uma trajetória ascendente. Para efeitos de comparação orçamental, o montante de 300,9 milhões de meticais alocado a estas nove pessoas é superior ao orçamento anual de diversos distritos moçambicanos. A nível mensal, significa que o Banco de Moçambique gasta mais de 25 milhões de meticais apenas para pagar aos seus órgãos máximos de direção.

​Numa perspetiva mais ampla, o total de gastos com pessoal suportados pelo banco central ascendeu a 11,78 mil milhões de meticais em 2025, dos quais a fatia de cerca de 301 milhões foi canalizada exclusivamente para a administração e auditoria de topo.

(Reportagem baseada na informação original assinada por Laves Macatane)

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