Vaga de Xenofobia na África do Sul: Governo Confirma Sete Mortos e Fuga de Centenas de Moçambicanos

Mais de 800 cidadãos moçambicanos a residir na África do Sul foram alvo de uma nova e violenta vaga de ataques xenófobos desde a última sexta-feira, na cidade de Mossel Bay, província do Cabo Ocidental. A crise já resultou na morte de sete compatriotas e forçou centenas a um regresso precipitado ao país.

​As autoridades governamentais de Moçambique confirmaram o balanço trágico desta investida contra imigrantes. Dos sete óbitos registados até ao momento, cinco resultaram diretamente da violência dos ataques xenófobos. As outras duas vítimas perderam a vida num acidente de viação enquanto tentavam fugir do caos e regressar ao território nacional.

​Operação de Repatriamento e Abrigo

​O Consulado de Moçambique na Cidade do Cabo está no terreno a acompanhar o desenrolar da situação e a prestar a assistência necessária aos lesados. O cenário de pânico levou a que cerca de 300 moçambicanos regressassem ao país pelos seus próprios meios logo no passado sábado.

​Paralelamente, mais de 500 cidadãos continuam abrigados em locais seguros na região do Cabo Ocidental. Este grupo encontra-se a aguardar o avanço do processo oficial de repatriamento governamental, que teve o seu início oficial este domingo.

​De acordo com o levantamento feito pelas autoridades, os moçambicanos afetados por esta onda de violência são naturais de cinco pontos do país:

  • ​Província de Gaza
  • ​Província de Inhambane
  • ​Província de Maputo
  • ​Cidade de Maputo
  • ​Província de Manica

​Apoio na Fronteira de Ressano Garcia

​Para mitigar o impacto desta travessia forçada, foi ativado um esquema de receção no posto fronteiriço de Ressano Garcia. À chegada, os cidadãos repatriados estão a receber apoio alimentar para garantir assistência imediata, estando igualmente previstos mecanismos para a sua reintegração nas respetivas zonas de origem.

​Alerta para Risco de Agravamento da Tensão

​Apesar dos esforços de evacuação em curso, o Governo moçambicano deixou um sério alerta para a possibilidade de uma escalada da violência nos próximos dias. Esta preocupação baseia-se na crescente pressão exercida por grupos extremistas e anti-imigrantes sul-africanos, que emitiram um ultimato exigindo a saída de todos os cidadãos estrangeiros do território até ao final do presente mês de junho.

​Face à gravidade e imprevisibilidade do cenário, o Executivo garantiu que o Estado continuará a monitorizar a crise de forma contínua. As operações de acompanhamento e apoio estão a ser coordenadas através das missões consulares, em estreita articulação com o Instituto Nacional das Comunidades Moçambicanas no Exterior (INACE) e o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).

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