Tensão em Chiúre: Chefe do Posto de Katapua Foge Após Ameaças de Morte dos “Namparamas”

O Chefe do Posto Administrativo de Katapua, no distrito de Chiúre, viu-se forçado a abandonar a sua área de jurisdição e a refugiar-se na vila-sede distrital. Raimundo José Manuel fugiu após receber ameaças de morte por parte dos “Namparamas”, um grupo local que recusa categoricamente a presença das Forças de Defesa e Segurança (FDS) e das autoridades governamentais na região.

​A denúncia foi tornada pública no passado dia 24 de maio de 2026, através de uma fonte bem posicionada no posto administrativo, que prestou declarações sob a condição de anonimato à Zumbo FM Notícias.

​O pico de tensão mais recente foi desencadeado pela chegada de militares das FDS a Katapua. Os membros da milícia “Namparamas” acusaram o chefe do posto de ter solicitado a intervenção das tropas estatais. No entanto, a fonte desmente esta alegação, esclarecendo que as forças governamentais se encontravam na área apenas para cumprir missões de rotina, visando a proteção das comunidades e o bloqueio de eventuais infiltrações de terroristas.

​Recusando a estadia dos militares e do Estado, o grupo virou a sua fúria contra Raimundo José Manuel. “Isso levou a que fosse perseguido. Andou pelas matas até conseguir chegar ao Posto Administrativo de Ocua e, finalmente, à sede do distrito de Chiúre”, relatou a fonte.

​Um Histórico de Violência e Vandalismo

​A hostilidade e a perseguição contra o representante do Estado em Katapua não são um fenómeno recente. O ambiente de insegurança já havia atingido proporções alarmantes em meados de dezembro de 2025.

​Nessa altura, o mesmo grupo protagonizou violentos atos de vandalismo. A fúria dos “Namparamas” resultou na destruição e incêndio de vários bens públicos e privados, incluindo:

  • ​O veículo pessoal do chefe do Posto;
  • ​A sua residência oficial;
  • ​A Secretaria Administrativa de Katapua;
  • ​O Comando local da Polícia da República de Moçambique (PRM);
  • ​Diversas habitações pertencentes a autoridades comunitárias.

​Batalhas Sangrentas e Caça Aos Cabecilhas

​O cenário de segurança no distrito de Chiúre agravou-se de forma dramática entre os dias 19 e 20 de maio de 2026. Durante este período, registaram-se intensos confrontos armados diretamente entre os “Namparamas” e o grupo de insurgentes que atua na província. O saldo destes embates foi letal: mais de 20 membros dos “Namparamas” e pelo menos dois terroristas perderam a vida.

​Após o banho de sangue, os elementos sobreviventes da milícia puseram-se em fuga. Atualmente, as FDS assumiram o controlo do terreno para garantir a proteção das populações. Como medida para restaurar a ordem pública, a mesma fonte assegura que “está em curso a recolha dos cabecilhas dos atos criminais”.

​O Paradoxo dos “Namparamas” no Conflito de Cabo Delgado

​Este episódio ilustra a complexidade da crise de segurança na província de Cabo Delgado, que lida com uma insurgência terrorista armada desde outubro de 2017, com origem em Mocímboa da Praia. Com mais de um milhão de deslocados e um rasto de destruição, as Forças de Defesa e Segurança moçambicanas, apoiadas por contingentes do Ruanda, tentam estabilizar o norte do país.

​Foi neste vácuo de segurança que surgiram os “Namparamas”. Apresentando-se como grupos civis de autodefesa que recorrem a rituais tradicionais para combater o terrorismo, a sua atuação tem gerado um efeito contrário ao pretendido.

​Longe de serem vistos como protetores, no distrito de Chiúre a sua presença é amplamente rejeitada tanto pela população como pelas autoridades. Relatos locais indicam que os “Namparamas” têm um comportamento obscuro, promovendo a extorsão, a intimidação civil, a destruição de património e a perseguição de qualquer líder que ouse colaborar com as FDS ou com o Governo, criando assim novos e perigosos focos de conflito na região.

(Com base em informações recolhidas pelo jornalista António Bote)

Zumbo FM Notícias

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