HCB Revela que Mais de Metade dos seus Trabalhadores são Naturais da Vila de Songo

Em resposta às contestações dos autoproclamados “Nativos de Songo” — que acusam a empresa de os preterir no acesso às vagas de emprego —, a Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) publicou uma detalhada Nota Informativa. Contudo, os dados divulgados acabaram por revelar que, apesar da sua dimensão nacional, a maioria da força de trabalho da maior central hidroeléctrica da África Austral provém daquela vila local.

​De acordo com o documento, o payroll atual da HCB conta com um universo de 1.239 trabalhadores (entre o pessoal do quadro e o pessoal eventual). Feitas as contas, conclui-se que 52% da totalidade dos funcionários são naturais de Songo, local onde o empreendimento está sediado. Em termos absolutos, a vila contribui com 652 trabalhadores, divididos entre 152 efetivos e 500 eventuais.

​Adicionalmente, este contingente global de 1.239 colaboradores costuma flutuar, podendo atingir cerca de 1.500 trabalhadores em determinados períodos, devido ao recrutamento sazonal que chega a ultrapassar os 700 contratados eventuais.

​Raio-X Estatístico dos Trabalhadores Efetivos

​Quando analisado exclusivamente o grupo dos 739 trabalhadores integrados no quadro permanente (efetivos), os indicadores geográficos continuam a evidenciar uma forte inclinação local e provincial:

  • Vila de Songo: Um em cada cinco trabalhadores efetivos (20%) nasceu nesta circunscrição do distrito de Cahora Bassa.
  • Província de Tete: Retém 48% dos funcionários efetivos, o equivalente a 356 pessoas.
  • Distrito de Cahora Bassa: Contribui com 24% dos quadros permanentes, o que significa que pelo menos um em cada quatro efetivos é natural do distrito.

​A HCB contrapõe estes números às exigências locais relembrando o seu estatuto de empresa de dimensão nacional. Por estar constituída como uma sociedade anónima cotada na bolsa de valores, a firma sublinha que está vinculada a regras estritas de governação corporativa, critérios técnicos de seleção e ao princípio constitucional da igualdade de oportunidades, o que impede a restrição de concursos públicos a candidatos de uma única região geográfica.

​O Papel de Agente de Reorganização Territorial

​Para lá da geração de energia, o relatório detalha o impacto socioeconómico profundo que a HCB exerce na região de Songo, moldando o urbanismo, o comércio e as perspetivas de vida das populações locais. Para atenuar a pressão sobre o emprego direto na barragem — cuja capacidade de absorção de mão-de-obra é limitada —, a empresa tem investido na diversificação da economia local através de infraestruturas e programas sociais.

​Entre as iniciativas destacadas na Nota Informativa encontram-se:

  • Infraestruturas e Comércio: Construção do Supermercado Central, de um terminal rodoviário e de duas feiras comerciais concebidas para estruturar os pequenos negócios e o comércio informal.
  • Acessibilidades: Reabilitação das vias rodoviárias que interligam Songo, Tete e Chitima, potenciando o escoamento de mercadorias e a criação de postos de trabalho indiretos.
  • Iniciativas Setoriais: Promoção de programas de formação técnica, estágios profissionais, agricultura integrada, pecuária, piscicultura, sistemas de irrigação e fornecedores locais.

​O “Projecto Transformar” e os Limites de Absorção

​No topo da estratégia de mitigação da dependência económica face à barragem está o Projecto Transformar, implementado em 2025. Este programa junta valências nas áreas da avicultura, piscicultura, agricultura, transformação de alimentos, energia solar e redes de fornecimento de água. Segundo a HCB, esta iniciativa já foi responsável pela geração de mais de mil empregos (efetivos e sazonais) no distrito de Cahora Bassa.

​Apesar deste portefólio de investimentos, a Nota Informativa traz uma admissão crucial: a administração assume de forma transparente que a HCB não tem, nem nunca terá, capacidade para empregar toda a população economicamente ativa da Vila de Songo ou do distrito.

​Esta declaração transfere o foco do debate: o desafio estrutural já não se resume à contratação para a central hidroeléctrica, mas sim à eficácia de posicionar a HCB como um catalisador para uma economia regional autónoma e sustentável, evitando a frustração social e a dependência permanente das comunidades locais em relação à barragem.

(Com base em informações veiculadas pela Carta de MZ)

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