Um encontro bilateral realizado em Maputo definiu novas linhas de orientação para a partilha de experiências na área da defesa, bem como para o aproveitamento pleno dos corredores logísticos regionais.
Moçambique e a República Democrática do Congo (RD Congo) manifestaram a intenção formal de reforçar e consolidar a cooperação na área da defesa e segurança, com particular destaque para o combate ao terrorismo que afeta ambos os países, sobretudo na província de Cabo Delgado e no Leste da RDC.
Segundo informação avançada pelo jornal Notícias, esta intenção foi expressa durante um encontro de trabalho realizado em Maputo, que reuniu a ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Moçambique, Maria dos Santos Lucas, e o ministro da Integração Regional da RD Congo, Floribert Anzuluni Isiloketshi.
Para o governante congolês, a segurança regional representa uma preocupação comum e urgente, razão pela qual os dois países vizinhos acordaram intensificar as ações conjuntas nesta área. Floribert Isiloketshi destacou as semelhanças entre os desafios enfrentados pelas duas nações, salientando que a RD Congo enfrenta sérios problemas de segurança no Leste do país, enquanto Moçambique lida com o terrorismo em Cabo Delgado, pelo que ambos precisam de trabalhar em conjunto e partilhar experiências práticas.
Além das questões militares e de segurança, os dois governantes analisaram em profundidade formas de reforçar a cooperação económica e comercial entre os dois países. O ministro congolês defendeu o aproveitamento mútuo dos corredores logísticos regionais como via para facilitar o escoamento eficiente de mercadorias entre as duas nações.
Neste contexto, a RD Congo posiciona-se como um corredor estratégico para a exportação e o escoamento de produtos. Para além do já consolidado Corredor da Beira, foi também referida a possibilidade de potenciar novas rotas e infraestruturas logísticas que possam dinamizar as trocas comerciais bilaterais. Por sua vez, a ministra Maria dos Santos Lucas destacou a experiência do Congo na área da exploração mineira, um setor pelo qual Moçambique demonstra grande interesse.
A governante moçambicana recordou ainda que os dois países celebraram, no ano passado, 50 anos de relações diplomáticas, sublinhando existir uma orientação clara por parte dos respetivos Chefes de Estado para elevar as relações bilaterais do plano estritamente político para uma cooperação económica e comercial mais dinâmica, capaz de garantir o desenvolvimento sustentável de ambos os povos.
