O Fórum das Organizações da Sociedade Civil de Cabo Delgado (FOCADE) está a exigir esclarecimentos sobre a legalidade da adjudicação, por ajuste directo, de quatro contratos do Conselho Municipal de Pemba à Empresa Municipal da Cidade de Pemba, S.A., avaliados em 25 milhões de meticais.
A organização reconhece a necessidade de intervenções urgentes nas estradas da cidade, sobretudo antes do início da época chuvosa, mas questiona se as circunstâncias apresentadas justificam, neste caso específico, o recurso ao ajuste directo.
FOCADE questiona recurso ao ajuste directo
Segundo Gerson Malute, presidente do FOCADE, a degradação das estradas de Pemba é uma realidade e exige intervenções.
No entanto, a organização pretende saber se foi devidamente demonstrada a impossibilidade de recorrer a outras modalidades de contratação pública, antes da escolha do ajuste directo para os quatro contratos.
O FOCADE defende igualmente que sejam esclarecidos, de forma independente, eventuais conflitos de interesses que possam estar relacionados com a contratação da empresa municipal.
Município explica situação do presidente
O posicionamento do FOCADE surge depois dos esclarecimentos apresentados por Albano Natal, porta-voz do Município de Pemba, na sequência de um pronunciamento da Procuradoria Provincial.
De acordo com os esclarecimentos do município, o presidente do Conselho Municipal não é proprietário nem sócio da Empresa Municipal da Cidade de Pemba, além de não receber lucros provenientes da empresa.
O município explica, contudo, que o edil aparece identificado como beneficiário efectivo por representar o Conselho Municipal enquanto accionista da empresa.
FOCADE pede análise dos documentos
Perante esta explicação, o FOCADE entende que a questão deve ser apreciada pelas instituições competentes, tendo como base os documentos que fazem parte do processo de contratação.
A organização salienta, entretanto, que não pretende antecipar qualquer condenação relativamente aos intervenientes.
Segundo o fórum, se a análise das entidades competentes confirmar que os procedimentos adoptados foram legais, essa conclusão também deverá ser tornada pública aos munícipes de Pemba.
Transparência na utilização dos recursos públicos
Para o FOCADE, a urgência de recuperar e melhorar as estradas da cidade não deve colocar em segundo plano os princípios de legalidade, transparência e prestação de contas na utilização dos 25 milhões de meticais de recursos públicos.
A organização encoraja a Procuradoria Provincial e os demais órgãos competentes a continuarem com o apuramento do caso.
O FOCADE defende ainda que, caso sejam comprovadas irregularidades, sejam determinadas as responsabilidades previstas na lei.
