Raúl Novinte contesta versão do ANAMOLA sobre saída de membros em Nacala
Nacala-Porto — O antigo coordenador regional Norte e ex-membro do Conselho Nacional da Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autónomo (ANAMOLA), Raúl Novinte, rejeita as acusações apresentadas pela estrutura local do partido sobre o recente acto de renúncia de membros em Nacala e afirma que a formação política está a tentar descredibilizar o processo de desvinculação.
A controvérsia surgiu depois de vários órgãos de comunicação social noticiarem, em meados de Setembro, a alegada saída de mais de 300 militantes e simpatizantes do ANAMOLA em Nacala. O número, entretanto, é contestado pela própria estrutura do partido.
Em declarações à Integrity Magazine News, Novinte afirmou que não havia razão para a direcção do ANAMOLA apresentar, segundo ele, uma versão que considera falsa sobre o episódio.
“Não havia necessidade de a ANAMOLA inventar uma notícia falsa”, afirmou Novinte.
O antigo dirigente acrescentou que, na sua interpretação, a reacção da organização demonstra falta de abertura ao exercício democrático.
“Mostra que é um partido que não aceita a democracia”, declarou.
Novinte confirma participação na renúncia
Raúl Novinte confirmou ter estado presente no acto realizado em Nacala e esclareceu que participou pessoalmente no processo de renúncia. No entanto, não confirmou que o grupo fosse composto por 300 pessoas, número que havia sido divulgado anteriormente por alguns meios de comunicação.
Segundo o político, apesar de não poder validar essa quantidade, houve uma saída significativa de pessoas ligadas à estrutura local do partido.
Novinte explicou que, entre os participantes, estavam membros do ANAMOLA que decidiram abandonar voluntariamente a organização, incluindo ele próprio.
“Pelo menos que eu saiba, estavam lá membros do partido que estavam a renunciar. Um deles sou eu. Eu estava aqui à frente, fui membro do Conselho Nacional da ANAMOLA, mas outros membros relevantes do distrito de Nacala renunciámos porque não nos identificamos com a política interna da ANAMOLA”, afirmou.
O antigo coordenador regional Norte defendeu que a decisão de abandonar o partido foi tomada voluntariamente e resultou de divergências com a orientação e a política interna da organização.
“Decidimos renunciar. Não há problema nisso”, acrescentou.
A participação de Novinte no acto de renúncia já havia sido confirmada por reportagens publicadas anteriormente, nas quais o próprio político explicou que esteve presente para entregar o seu cartão de membro.
Acusações sobre pagamento de 500 meticais
Outro ponto de divergência está relacionado com a composição do grupo que participou no acto.
O coordenador do ANAMOLA em Nacala, Abubakar Momad Cássimo, afirmou que parte das pessoas presentes teria sido mobilizada mediante promessas de pagamento de aproximadamente 500 meticais, além de alimentação.
A versão foi rejeitada por Raúl Novinte.
O antigo dirigente disse não ter conhecimento de qualquer pagamento aos participantes e insistiu que as pessoas presentes eram membros do partido que tinham decidido renunciar voluntariamente.
“Pelo menos que eu saiba, estavam lá membros do partido que estavam a renunciar. Um deles sou eu”, reiterou.
A estrutura provincial do ANAMOLA também contestou anteriormente o número de 300 membros, afirmando que a quantidade de membros efectivos que teriam abandonado a organização seria muito inferior. O coordenador provincial, Castro Niquina, chegou a estimar em cerca de 15 o número de membros efectivos envolvidos.
Já uma reportagem publicada posteriormente pelo Voz do Índico, citando o coordenador distrital Abubacar Momade Cassimo, apresentou a alegação de que alguns participantes teriam sido convidados para um encontro que inicialmente lhes teria sido apresentado de outra forma e que algumas pessoas teriam recebido ofertas de cerca de 500 meticais para permanecerem no local. Essa versão é atribuída à estrutura do partido e é contestada por Novinte.
Duas versões sobre o mesmo episódio
O caso passou a apresentar versões diferentes sobre o número de participantes, a sua ligação ao ANAMOLA e as circunstâncias que envolveram o acto de renúncia.
De um lado, a direcção local e provincial do partido contesta a ideia de que cerca de 300 membros efectivos tenham abandonado a organização e questiona se todos os presentes eram realmente militantes do ANAMOLA.
Do outro, Novinte sustenta que havia membros do partido entre os participantes e que a saída ocorreu por decisão voluntária, motivada por divergências com a política interna da organização.
As primeiras informações sobre a alegada renúncia colectiva foram divulgadas em 15 de Setembro, quando órgãos de comunicação social noticiaram que mais de 300 militantes e simpatizantes teriam anunciado a saída do ANAMOLA em Nacala. O Jornal Ikweli também publicou informação nesse sentido.
Posteriormente, a própria estrutura do ANAMOLA em Nampula desvalorizou a dimensão da saída e classificou o episódio como uma questão política sem impacto significativo no funcionamento da organização.
Divergências anteriores entre Novinte e a liderança
A actual disputa não é o primeiro episódio de divergência pública entre Raúl Novinte e a liderança do ANAMOLA.
Em Junho, segundo a reportagem citada pela Integrity Magazine, Novinte afirmou ter sido “combatido, isolado e descartado” pela liderança do partido, enquanto o presidente da formação política, Venâncio Mondlane, apresentou uma versão segundo a qual o antigo coordenador teria deixado a organização por decisão própria.
As divergências voltaram a ganhar expressão em Julho, quando a coordenação provincial do ANAMOLA em Nampula contestou declarações de Novinte relacionadas com a sua participação na liderança partidária.
Na altura, o coordenador provincial Castro Eleutério Niquina afirmou que Novinte não teria formalizado uma candidatura nem iniciado os procedimentos internos necessários para concorrer à liderança.
Questões continuam sem resposta
Apesar das declarações das duas partes, continuam por esclarecer vários aspectos do episódio ocorrido em Nacala.
Entre as questões ainda em disputa estão o número exacto de pessoas que participaram no acto, quantas delas eram efectivamente membros do ANAMOLA, as circunstâncias da mobilização dos participantes e os motivos que levaram Raúl Novinte e outros integrantes a desvincularem-se da organização.
A própria Integrity Magazine News relata ter ouvido as duas partes envolvidas na controvérsia: a direcção do ANAMOLA em Nacala apresentou a sua versão sobre a composição do grupo e as circunstâncias da renúncia, enquanto Raúl Novinte rejeitou as acusações e defendeu que a saída dos membros foi voluntária.
Assim, o episódio permanece marcado por versões divergentes quanto à dimensão da renúncia, à condição partidária dos participantes e às circunstâncias que envolveram o acto realizado em Nacala.
