Um caso que mistura emoção, dor e alerta social foi registado na manhã de domingo (9) no Hospital Central de Nampula (HCN), a maior unidade sanitária do norte de Moçambique. Uma menina de apenas 10 anos de idade deu à luz um bebé do sexo feminino, num parto considerado clínico normal, mas que exigiu elevada perícia e sensibilidade da equipa médica envolvida.
Segundo fontes do hospital, a menor, natural do distrito de Mecuburi, chegou à unidade com complicações de saúde, sendo prontamente atendida pelos profissionais. Graças à intervenção oportuna da equipa médica, tanto a jovem mãe quanto o recém-nascido encontram-se fora de perigo.
O episódio, que despertou grande comoção entre os profissionais e pacientes, voltou a expor a realidade preocupante das gravidezes precoces e abusos sexuais que atingem meninas em várias regiões do país.
De acordo com Acácio Januário, irmão mais velho da vítima, a gravidez foi resultado de uma violação sexual, cujo alegado autor já foi detido pelas autoridades.
“Ela escondeu a situação por algum tempo, porque o homem a ameaçava. Só descobrimos quando já estava no quarto mês de gravidez”, contou o familiar.
Ainda abalado, Acácio relatou o sofrimento enfrentado pela família durante a gestação:
“Sabíamos do risco que ela corria pela idade e temíamos o pior. Mas, pela graça de Deus e pela dedicação dos médicos, o parto correu bem. Foi um verdadeiro milagre.”
Segundo relatos, o parto estava inicialmente previsto para ser realizado por cesariana, mas a menina entrou em trabalho de parto espontâneo, surpreendendo a equipa médica pela resistência e força.
“É triste, porque a infância da minha irmã foi interrompida. Ela ainda é uma criança, mas agora tem outra criança para cuidar”, lamentou o irmão.
O caso gerou grande repercussão em Nampula e reacendeu o debate sobre a proteção de menores, a responsabilização dos agressores e a necessidade de reforçar políticas públicas de prevenção à violência sexual infantil.
O Hospital Central de Nampula confirmou que a jovem mãe e o bebé permanecem internadas sob observação médica, recebendo acompanhamento psicológico e social. Ler artigo completo…
