O antigo Presidente moçambicano, Joaquim Chissano, fez duras críticas aos movimentos de libertação africanos, afirmando que muitos se afastaram dos ideais que originalmente defendiam: servir o povo. Chissano discursava durante o jantar de gala do Congresso Nacional Africano (ANC), realizado na noite de 25 de julho, em Joanesburgo, véspera da Cimeira dos Movimentos de Libertação.
Durante o evento, Chissano lamentou o afastamento de vários partidos do seio popular e a crescente resistência à crítica interna. “É crucial reconhecermos que em muitos dos nossos países assistimos ao enfraquecimento das instituições democráticas”, alertou o ex-chefe de Estado.
Chissano apelou aos partidos históricos de libertação para que renovem suas políticas, com o objetivo de melhorar a vida dos cidadãos. A Cimeira, que reúne líderes de vários movimentos históricos africanos, acontece num contexto de crescentes tensões geopolíticas e busca refletir sobre o futuro político do continente.
Também presente na ocasião, o vice-presidente do ANC, Paul Mashatile, reforçou a necessidade de os movimentos se adaptarem às exigências do cenário político atual. “Vivemos num mundo repleto de desafios interligados. As tendências populistas de direita ameaçam a paz e segurança globais, e os movimentos de libertação devem recuperar sua relevância neste contexto”, destacou.
Mashatile garantiu que a África do Sul irá aproveitar sua presidência do G20 para apresentar as prioridades africanas no palco internacional. Para ele, a ação coordenada e a liderança decisiva são essenciais para que o continente enfrente os desafios modernos de forma eficaz.
A Cimeira dos Movimentos de Libertação segue durante o fim de semana e deverá emitir uma declaração conjunta sobre os caminhos a seguir pelas forças políticas que marcaram a luta pela independência no continente africano.
