Moçambique é alvo confirmado do spyware Predator em onda global de ciberespionagem

Moçambique foi identificado como alvo ativo da mais recente onda de ciberespionagem digital, com a confirmação da presença do sofisticado spyware Predator. Desenvolvido para se infiltrar silenciosamente em smartphones, o Predator monitora em tempo real as comunicações e atividades dos usuários sem seu consentimento ou conhecimento. A denúncia, divulgada pelo Insikt Group da empresa americana Recorded Future e publicada no portal Security Affairs, coloca Moçambique no centro de uma rede global de vigilância digital altamente invasiva.

Criado pela empresa macedônia Cytrox e comercializado pelo consórcio Intellexa — um grupo europeu com operações em Israel, Chipre e Grécia —, o Predator possui a capacidade de acessar microfone, câmera, mensagens, localização, contatos e outras informações pessoais dos dispositivos móveis, explorando vulnerabilidades conhecidas como zero-click, que não requerem qualquer interação do usuário.

Segundo a Recorded Future, Moçambique integra uma lista de 13 países onde o Predator está ativo, entre eles Angola, Egito, Cazaquistão, Indonésia, Arábia Saudita, Filipinas, Armênia, Omã, Mongólia e Trinidad e Tobago. No continente africano, o spyware tem se disseminado principalmente em países com governos menos transparentes, tornando-se um foco da expansão dessa vigilância clandestina.

No território moçambicano, foram identificados domínios maliciosos como noticiafresca[.]net, flickerxxx[.]com e mundoautopro[.]com, usados para enganar usuários e instalar silenciosamente o spyware em seus dispositivos. As operações contam com uma infraestrutura técnica sofisticada, dividida em cinco camadas, que escondem a origem do tráfego malicioso e dificultam a detecção. A camada mais avançada dessa cadeia foi associada à empresa checa FoxITech s.r.o., que já teve vínculos com o consórcio Intellexa.

Nos Estados Unidos, o Departamento do Tesouro, por meio do Office of Foreign Assets Control (OFAC), impôs sanções econômicas rigorosas ao fundador do Intellexa, Tal Dilian, e a cinco empresas relacionadas, proibindo transações com cidadãos ou entidades americanas. Essa ação visa frear a expansão da vigilância privada e impedir o uso do Predator contra diplomatas, ativistas e jornalistas.

Entretanto, apesar das sanções, a recente investigação do Insikt Group aponta que a infraestrutura do Predator não apenas sobreviveu, mas evoluiu. Os operadores continuam utilizando sites falsos, domínios camuflados e técnicas avançadas de ocultação digital para manter as atividades em funcionamento. Moçambique aparece, assim, como o mais novo terreno para o avanço silencioso da ciberespionagem.

Diante desse cenário, especialistas em segurança digital recomendam uma série de medidas preventivas tanto para indivíduos quanto para instituições: manter sistemas operacionais atualizados, separar os dispositivos pessoais dos profissionais, reiniciar os aparelhos regularmente para interromper processos suspeitos, ativar o modo lockdown em iPhones, utilizar ferramentas de gerenciamento de dispositivos móveis e investir em programas de alfabetização digital.

Outras Notícias do Autor

Exército dos EUA lança marketplace exclusivo para compra de drones inspirado na Amazon

Farmácias de Moçambique acumulam prejuízos pelo segundo ano consecutivo e vendas caem drasticamente em 2024

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *