O antigo candidato à presidência e líder da Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autónomo (Anamola), Venâncio Mondlane, ausentou-se, nesta quarta-feira, da reunião do Conselho de Estado. A decisão foi tomada como forma de protesto contra o que classifica de “perseguição política e assassinatos” dirigidos a integrantes e apoiantes da sua formação política.
O papel de Mondlane no órgão consultivo
O Conselho de Estado funciona como o órgão de consulta do Presidente da República. Venâncio Mondlane possui assento neste órgão por imperativo legal, uma vez que a legislação em vigor estipula que o segundo candidato mais votado nas eleições presidenciais mais recentes tem direito automático a uma vaga no Conselho.
Histórico recente de violência e denúncias
A contestação do líder da Anamola surge na sequência de episódios recentes de violência:
- No último mês, dois membros do partido Anamola foram mortos a tiro nas províncias de Inhambane (zona sul) e de Manica (zona central do país).
- Dados levantados pela organização não-governamental Plataforma Eleitoral “Decide” indicam que, desde julho de 2025 até ao momento, já foram contabilizados mais de 20 atentados contra integrantes de partidos da oposição.
Missão no estrangeiro e carta a Daniel Chapo
Através de uma missiva oficial enviada ao Presidente moçambicano, Daniel Chapo, Mondlane justificou a sua ausência informando que se encontra fora do país. O político cumpre uma agenda de encontros com diversos representantes da comunidade internacional. O objetivo desta viagem é alertar os parceiros externos para a situação de “assassinatos, raptos, sequestros, detenções arbitrárias e a perseguição atroz” de que os membros da Anamola dizem estar a ser alvos.
No documento submetido ao Chefe de Estado, Venâncio Mondlane criticou duramente a postura das instituições públicas moçambicanas:
“Estes episódios violentos ocorrem há mais de um ano, sem qualquer intervenção das autoridades públicas nacionais para travar estas atrocidades profundamente desumanas e antidemocráticas”.
O líder da oposição acrescentou ainda na carta que os compromissos assumidos nesta deslocação internacional prolongam-se para além do dia agendado para a sessão do Conselho de Estado, inviabilizando o seu regresso a tempo de marcar presença no encontro.
Com informações da Agência de Informação de Moçambique (AIM)
