Enquanto cresce a expectativa sobre o retorno da TotalEnergies à vila de Palma, para dar continuidade ao projeto de exploração de Gás Natural Liquefeito na Área 1 da Bacia do Rovuma, Cabo Delgado enfrenta uma nova escalada de violência. Grupos terroristas retomaram métodos primitivos, incluindo decapitações, especialmente direcionadas a cristãos. Internacionalmente, este cenário tem sido descrito como um “genocídio silencioso” e coincide com relatos de dificuldades do Governo moçambicano em efetuar pagamentos às tropas ruandesas que apoiam a contra-insurgência.
Desde o início da colaboração militar, o Governo negou que houvesse contrapartidas financeiras para as forças ruandesas. Apesar das garantias oficiais, dúvidas persistiam entre a sociedade moçambicana.
Um relatório da Africa Intelligence, publicado em 26 de maio de 2025, indicou que Moçambique enfrentava problemas para pagar os militares ruandeses, com valores mensais estimados entre 2 e 4 milhões de dólares. Segundo o mesmo relatório, essas dificuldades teriam começado em agosto de 2024 e se estendido até julho deste ano, quando os pagamentos teriam sido retomados.
Durante este período, os grupos armados recuperaram parte de sua capacidade operacional, realizando incursões em diversos distritos de Cabo Delgado e, ocasionalmente, em Niassa. Em abril de 2025, chegaram a invadir a Reserva Especial do Niassa. Em muitos desses ataques, segundo a imprensa local, as forças de defesa e seus aliados encontraram pouca ou nenhuma resistência.
A intensificação dos ataques, incluindo decapitações e destruição de infraestruturas públicas e privadas, sugere uma tentativa de intimidar a TotalEnergies, possivelmente para atrasar ou inviabilizar seu retorno à Afungi, de onde a empresa se retirou em 2021 após o ataque à vila de Palma.
Dados da ACLED apontam que, entre 14 de julho e 3 de agosto de 2025, pelo menos 28 pessoas foram mortas, sendo 11 civis. O grupo avançou para o sul de Cabo Delgado, atingindo distritos como Ancuabe e Chiúre, onde chegaram a ocupar o Posto Policial de Chiúre-Velho.
O aumento da violência provocou um elevado número de deslocados. Segundo a Organização Internacional das Migrações, entre 20 e 28 de julho, 46 mil pessoas deixaram suas casas em busca de segurança, sendo 60% crianças.
“Genocídio silencioso”
Organizações internacionais têm denunciado o cenário em Cabo Delgado como um “genocídio silencioso” contra cristãos. O Instituto de Pesquisa de Mídia do Oriente Médio (MEMRI) destacou decapitações de cristãos e incêndios em igrejas e residências.
“O que ocorre em África hoje é uma guerra silenciosa e brutal, muitas vezes ignorada pela comunidade internacional”, afirmou Alberto Miguel Fernandez, vice-presidente do MEMRI, à Fox News Digital. Ele reforçou que, diferentemente dos muçulmanos, que podem se juntar às fileiras dos terroristas, os cristãos enfrentam a morte de forma sistemática, muitas vezes através de métodos primitivos.
Especialistas do site espanhol La Gaceta também classificam os ataques como genocídio. O Infovaticana destaca que, em 22 de julho, seis cristãos foram decapitados em Natocua, distrito de Ancuabe, representando um dos episódios mais sangrentos da região.
